Viver o 16 de março

E eu que já falei de tempos extremos, tive que viver o 16 de março. Como gostaria de estar falando de outra coisa, mas há momentos que nos impõem posições, escolha de lado, não na forma de torcida, de Fla-Flu; nem de convicções religiosas, que são cegas, e que não exigem conhecimento, aprofundamento, análise, discernimento, desconfiança das “verdades”, só a pura adesão. Defendo e respeito o posicionamento diferenciado do meu, não quero convencer ninguém; mas sinto falta de tempos aqueles que existia espaço para dialogar, havia margem para o contraditório.

Perplexa com o 16 de março, meu protesto é não silenciar. Não tenho dúvidas que só o futuro poderá dizer quem está certo ou errado – ainda que loucos esbravejam, tomem as ruas, mas em suas palavras de ordem não vemos uma  só reivindicação por mais empregos, por mais educação, por mais justiça, por mais saúde, que é o nosso caos diário, por habitação, nestes tempos que avalanches tomam os morros. Construíram um novo messias, mas esquecem dos morros, naquilo que simboliza toda a sociedade desfavorecida. 

Pregam que o país vai virar uma Venezuela, mas preferem eles próprios fundá-la com suas táticas violentas e raivosas, fora da legitimidade. São contra a corrupção de um partido x, mas os demais são aceitáveis. Juntam-se aos mais atrasados e acreditam que podem vislumbrar um futuro com os pés em décadas passadas ou seriam séculos?

Só uma coisa pra mim é berrante, neste hospício: hoje, somos todos perdedores, saímos vencidos todos. A nação não tem mesmo alicerce, nem sustentação. Que democracia é essa que desaba no primeiro embate. Ah, como lutamos para que tudo fosse diferente.

Tenho um lado sim, o da democracia e o da justiça com base em provas técnicas; depois disso vale a sentença, vale a execração. Antes disso, a torcida cansa, enoja, da vontade de vomitar. Vi uma filosofa afirmar que as ruas não podem ser mais fortes que as urnas, será que isso vale para o Brasil de hoje – um país  marionete, que ora é levado pra cá, ora pra lá, num espetáculo de manipulação nunca antes visto na história.

Sem me delongar naquilo que já cansou a todos, encerro com uma reflexão, cuja autoria não sei indicar: “quando tomamos partido dessa ou daquela ideologia, nos tornamos massa de manipulação de grupos cujos interesses desconhecemos. Para agir como um ser livre é decisivo pensar com isenção e equidistância do radicalismo”. Muito atual para o momento.

Denise, a transbordante

Sobre Denise, a transbordante

Transbordo em choros e risos, raiva e paciência, novidades e mesmices. Por pouco posso me indignar, como também explode em mim alegrias inesperadas por quase nada. Sou soma – de mim, dos outros, do mundo, do meu tempo. Às vezes, divisão; mas busco a multiplicação daquilo que acredito para que a essência não seja subtraída. Quero transbordar neste espaço com vocês, às quintas. Sou jornalista.

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