Viver a vida com a liberdade de uma borboleta

Assisti ontem ao belíssimo “O escafandro e a borboleta”, do diretor francês Julian Schnabel. O filme conta a história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle, que aos 43 anos sofre um acidente vascular cerebral e tem seu corpo completamente paralisado, exceto por seu olho esquerdo. Suas atividades cerebrais, assim como sua memória, continuam intactas. E, assim, paralisado, ele escreve um livro contando sua história.

Por diversas vezes o espectador toma o lugar do protagonista e vê o mundo a partir do olho esquerdo de Bauby. Mudança de foco na câmera, movimentos bruscos fazem com que quem assiste ao filme se sinta dentro do corpo imóvel do editor de moda.

Jeando, como era chamado por amigos, sempre foi um apaixonado pela vida: trabalhava bastante e se divertia ainda mais. Nos poucos momentos retratados antes do acidente, fica clara a vida glamorosa, entre jantares e desfiles de alto luxo que faziam parte do cotidiano do editor de uma das revistas femininas mais conceituadas do mundo da moda. Jeando amava a liberdade. Adorava dirigir seu conversível e sentir o vento nos seus cabelos. Uma das cenas mais bonitas do filme mostra o editor dirigindo pelo litoral francês. Livre como uma borboleta.

Depois do acidente, esse homem que prezava a liberdade acima de todas as coisas, se vê imóvel, como se estivesse aprisionado em um escafandro em alto-mar. Sem conseguir falar, andar ou fazer qualquer movimento, somente abrir e fechar o olho esquerdo. Uma fisioterapeuta o ensina a dar uma piscada para expressar “sim” e duas piscadas quando gostaria de dizer “não”. E, assim, tem início um longo processo que o mostra uma nova possibilidade de comunicação.

A próxima etapa desse novo sistema de comunicação consistia em formar palavras. A fisioterapeuta soletrava o alfabeto e Jeando piscava na letra que desejava iniciar a palavra. E, novamente, a fisioterapeuta soletrava o alfabeto e ele piscava na segunda letra da palavra e, assim, sucessivamente, até formar a primeira palavra e depois a segunda palavra (e, mais adiante, frases, parágrafos, capítulos e um livro inteiro). Ao longo de 15 meses o escritor permanece nessas condições: como uma borboleta presa dentro de um escafandro que consegue a liberdade através das palavras.

O filme foi indicado a quatro prêmios Oscar, ganhou o Festival de Cannes e é realmente emocionante. Além de nos mostrar até onde a força de vontade pode nos levar, também faz refletir sobre como somos vulneráveis e frágeis. E que a coisa mais importante é viver a vida com a liberdade de uma borboleta.

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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