Versão de Mulheres transforma machismo em empoderamento feminino

Versões de músicas podem ser muito interessantes. Se, geralmente, paródias fazem rir, outras mudam totalmente a forma com que olhamos para a letra de uma canção. Seja em forma de resposta, dando voz ao sexo oposto, ou simplesmente mudando algumas palavras para recriar o contexto, alguns artistas possuem tanta perspicácia que nos fazem refletir. Um exemplo muito interessante é o que foi feito com a música Mulheres, de Martinho da Vila.

A versão é de uma das filhas do cantor, Maira Freitas. NVersão de Mulheres 1a versão original, em que o cantor diz ter tido muitas mulheres diferentes em sua vida, Maira inverte a letra para atender ao universo feminino. Ela diz que já foi muitas mulheres diferentes, sendo ela mesma. E se, em cada fase da vida mudamos, por que não abraçarmos todas essas mulheres que somos e fomos?

Maíra Freitas fala sobre a canção para o site Vírgula – (…) Sempre tive uma certa dificuldade em cantar essa canção pois ela está inserida num universo masculino machista e coloca a mulher num lugar comum onde o homem garanhão possui várias mulheres durante a vida e ao final encontra a mulher perfeita santificada. Nunca me senti confortável cantando essa música, apesar de ela ser muito conhecida no repertório do meu pai. Achei incrível quando fui apresentada à essa versão, onde a mulher é a protagonista empoderada que descobre que ela pode ser várias mulheres em uma só, uma mulher livre pra ser ela mesma independente de padrões ditados pela mídia e pela sociedade.

Ouça a música, aqui:

Mulheres (música de Toninho Geraes em releitura de Maira Freitas)

Eu já fui mulher, de todas as cores
De vários estilos, de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei

Eu já fui mulher do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida
Casada, carente, solteira, feliz
Já fui donzela e até meretriz

Mulher cabeça, desequilibrada
Mulher confusa, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como ser eu me faz…

Procurei em todas as belezas a felicidade
E quando encontrei a minha identidade
Foi começando bem, e não teve mais fim…
Eu sou, o sol da minha vida, a minha vontade
Eu não sou mentira, sou toda verdade
Sou todas que um dia eu sonhei para mim.

 

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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