Vão aberto, corpo vertido

Fraudulentamente extraída, lanhada, sou cúmplice, sou comparsa, tu és o meliante, eu, o objeto do furto, coisa móvel que se move e se arreganha.

Compartilho tua clandestinidade e sigo, não cabendo em mim, potencialmente subtraída. Exuberante é tua sutileza, instinto sagaz, que me faz sentir bem.

Crime amiúde, desejos sem clemências, ávida e sedenta; sou carne, osso, coração e vagina. Pelo tato, identifico o falo, e o direciono, sem poréns, sem apesares. Sou uma mulher, munida com todas as minhas vontades, proibidas e lenitivas.

Decifra-me agora! Sou mais, sendo menos, subtraída na base, e o que sobra é resto ou (in) diferença.

Ah! Esse vácuo fértil de tua ausência, meu âmago, meu cárcere. Vou me bastando, mergulhando nas fagulhas inspiradoras da minha mente, como flecha, lançada na mão do arqueiro, que já não lhe pertence mais.

Quero ser tua fruta mordida, suculenta, escorrendo pelo canto da boca, devorada pelas laterais. Cérebro, mãos, bocas e genitais, não sou de látex.

Refém e bandida, ambíguos e ambivalentes, somos nós.

 

Cristiane, a progesterônica

Sobre Cristiane, a progesterônica

Minha voz ecoa entre as pernas, advinda dos grandes e pequenos lábios. Na condição de fêmea, experimentando o cio, incitando vontades e provocando ardores. Ávida, me fecundo. Chego úmida e sedenta. Sem amarras, eu chego às terças.

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