Uma provação amarga pode ser uma bênção disfarçada

Quantas vezes queremos algo, parece que vamos conseguir, nos agarramos às possibilidades e, de repente, puf, o bolo desanda, o leite derrama, o trem descarrilha e dá tudo errado? Com certeza você já viveu isso incontáveis vezes. Nessas horas ficamos frustrados, bravos, tristes, descrentes. É quando nos dizem: “você vai ver que foi melhor assim”. Com tanta dor, o conselho não faz sentido. Como acreditar? Duvidamos. Será que existe algo melhor que isso que não pudemos ter ou realizar? Como se conformar e ter fé para esperar “os dias melhores que virão”?

Imagine se pudéssemos ver as cenas Uma provação amarga pode ser uma bênção disfarçada 2do futuro, como um ‘Você Decide’ da vida real. Em que, se o protagonista escolher o plano A, podemos ver hoje a cena daqui há alguns anos. Se for o plano B, outra cena e os capítulos com as reviravoltas e demais personagens que surgiriam a seguir. Aparentemente, seria mais simples fazer opções certeiras sabendo o que iria acontecer no futuro. Mesmo assim, erraríamos muito ainda. O que fazer então?

A resposta é confiar, aceitar. Fazer nossa parte, deixar a mente tranquila e confiar na força maior que nos ajuda sempre, e só espera que a gente ouça, lá no íntimo. Agora, busque na mente quantas dessas situações de amargura e perdas você já viveu e depois, ao ver os acontecimentos seguintes, deu graças a Deus por estar fora daquela situação, ter saído (ou terem te tirado) enquanto era tempo.

Exemplos vão desde “passageiro se salvou de queda de avião porque perdeu o voo”, até negócios comerciais promissores que você não conseguiu participar e depois viu que eram uma furada. Quantos mais exemplos existem na sua própria vida, não é? Como crianças, choramos a perda e não queremos aceitar o fato, até que venha, tempos depois, a confirmação de que “foi bem melhor assim”. Com ela, o alívio e a maturidade para nos fazer entender os motivos do suposto fracasso.

Se você já conviveu com uma criança, vai conseguir visualizar uma cena como a seguinte. Um menino de 3 anos vê seu irmão de 8 usando uma faca. Ele pede para os pais, que naturalmente não a entregam, pois ele pode se machucar feio. Faltam aprendizados, coordenação motora e maturidade para isso. Mas a criança chora, esperneia, não entende, se magoa, se sente excluída, duvida do amor dos pais. Quando é este amor que não permite que ela se machuque.

Se ela ao menos confiasse que o objeto de desejo lhe foi negado para sua segurança e integridade, mesmo sem entender, ficaria mais calma. Mas ela não tem recursos ainda para esse desprendimento. Nós temos. E a gente duvida, igual a criança. Quando alcançamos maturidade para aquela situação, vemos que teria sido menos doloroso confiar. O que dói hoje, na verdade, pode ser uma bênção, mesmo que neste momento você não consiga enxergar isso.

Muitas vezes passamos por situações ou convivemos com pessoas por algum tempo para que possamos aprender, exercitar certas habilidades, crescer. Cumprida sua finalidade, se dali em diante já não seria bom, isso acaba. E acaba, inclusive, para nos fazer buscar outras coisas importantes na vida. Para colocar o foco no que realmente interessa enquanto as outras não estão prontas para nós, nem nós para elas.

“O que nos parece uma provaçãoUma provação amarga pode ser uma bênção disfarçada 4 amarga pode ser uma bênção disfarçada”, diz a frase do escritor irlandês Oscar Wilde. Tanto para que não ocorra um machucado feio, uma tragédia, uma tristeza muito maior; quanto para tirar do caminho o que era pouco naquele momento e abrir espaço para algo diferente, seja este algo novo ou velho, mas melhorado. Vai doer? Vai. Mas pode doer menos.

Quando a tormenta passar e você conseguir enxergar com mais clareza, verá que realmente não valia a pena tanto sofrimento. Entenderá que não era hora de ter essa “faca”, pois causaria estragos profundos e doeria muito mais do que esse “não”. Faça sua parte e confie. Segure firme. Foque no que é necessário, em seu crescimento. Você ainda terá uma linda história para contar.

 

 

 

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

Ver tudo

Comente este post!

O seu endereço de e-mail não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados (*)

Comentário *