Um homem extraordinário

Um homem extraordinário 2Conheci um homem extraordinário. Ele é calmo e não se irritou quando o café demorou para ficar pronto (como muitos outros homens que eu conheci ficariam irritados); perguntou sobre mim e conversou sem preconceitos quando eu disse não ter religião e nem acreditar em Deus (como poucas pessoas conversaram); quis entender quando eu disse que não queria casar, nem ter filhos e não me condenou (como quase todas as pessoas fazem); falou sobre sua juventude com um brilho nos olhos que eu nunca tinha visto em outros olhos; contou histórias para falar sobre as desigualdades do Brasil que me deixaram arrepiada e quase me fizeram chorar. Histórias como o caso da empregada doméstica que quebrou o ciclo da pobreza ao virar traficante para pagar educação de qualidade para os filhos e netos. Mostrou sua indignação com a falta de oportunidade da maioria dos nossos compatriotas. Ele me explicou diversas teorias em que todos teriam oportunidades iguais. Educação, saúde, segurança e moradia básicas para todos e, a partir daí, o esforço, dedicação e inteligência de cada um seria o único fator que diferenciaria alguém com melhores condições daquele que vive com o mínimo.

Um homem extraordinário 1No final de semana que passamos juntos, fomos à Muralha e andamos pela parte antiga de Beijing. Eu o levei aos lugares que mais gosto e contei histórias sobre diversos aspectos da cultura chinesa. Cristovam me fez muitas perguntas e, com toda humildade do mundo, escutava atento a tudo que era falado. “O que é aquele caractere?”, “O certo é falar caractere ou ideograma?”, “Aquele lá significa ‘China’, não é mesmo?”, “Um dia os chineses vão deixar de usar caracteres?”, “Você tem muitos amigos chineses?”, “Como você acha que a política do filho único influencia a sociedade?”, “Sobre o que é sua pesquisa?” e disse achar que eu não voltaria ao Brasil ao perceber o amor que sinto por este lugar. Em poucos dias aqui do outro lado do mundo, este homem culto e esperto já conseguiu identificar uma porção de caracteres e até conseguiu escrever alguns.

Um homem extraordinário 3Cristovam Buarque me ensinou a ter ainda mais curiosidade por tudo ao redor. O senador mostrou que é mais importante escutar do que falar. E, apesar dos seus 72 anos, demonstrou ter um olhar atento e puro, como que vendo o mundo pela primeira vez. Fiquei encantada. Obrigada, Cristovam, por me mostrar como as pessoas podem ser tão especiais e humanas. Um dia quero ser como você.

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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