Um casamento e uma moça sueca

Fui ao casamento de um amigo e, como conhecia poucas pessoas, ele me colocou em contato com uma moça sueca que também iria à cerimônia. Alugamos um carro, viajamos e ficamos quase 24h por dia juntas durante um final de semana prolongado. Conversamos bastante sobre diversos assuntos: vida na Suécia e no Brasil, trabalho, relacionamentos e, claro, feminismo. A Suécia é um dos países mais igualitários do mundo e foi interessante ver a perspectiva de uma pessoa “de dentro”.

Um casamento e uma moça sueca 1A nova amiga me contou que feministas suecas estão lutando pela criação de um gênero neutro, chamado “hen” e pelo desuso do masculino como gênero neutro, o que acontece no Brasil e em quase todos os países do mundo. Teríamos “ele”, “ela” e “hen”. No Brasil, quando há um grupo de 896 alunas e um aluno, devemos falar: “Os 897 alunos…”. O masculino prevalece. A criação de um gênero neutro auxilia a igualdade entre os sexos e também dá liberdade para que cada um escolha seu próprio gênero. Há pessoas que já usem informalmente “alunxs”, para ser mais justo (e não o masculino como predominante), ou “meninxs”, “queridxs” e assim por diante. Eu gosto da ideia. Nasceu menina, mas quer ser menino? Que tal usar gênero neutro até que a pessoa tenha certeza do que quer ser? A categorização do gênero feminino e masculino limita as pessoas. É preciso ter liberdade para que se possa escolher o que se quer ser. Acho isso o máximo da evolução humana: liberdade para que cada um escolha o quê (e como) quer sua vida. Não entendo como a escolha do gênero e a sexualidade dos outros pode incomodar tanto algumas pessoas. Inveja da coragem, talvez…

A moça sueca exagero a criação desse terceiro gênero, mas eu acredito que no futuro (bem no futuro…) a sociedade (e, consequentemente) as línguas devem evoluir dessa maneira. Torçamos!

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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