Tive uma infância difícil

Tive uma infância difícil 1Primeiro, porque eu não gostava de ser criança. Nunca gostei de brincar de boneca, de casinha e nem com crianças da mesma idade que eu. Gostava mais de conversar com adultos, ler e aprender sobre arte. É claro que o divórcio tumultuado dos meus pais ajudou a complicar um pouquinho mais aquela época. E o fato de eu passar 3h por dia no ônibus indo e voltando da escola durante nove anos deixava tudo mais chato. A infância difícil foi pela soma de inúmeros fatores, circunstâncias e acontecimentos.

Eu fui uma criança e uma adolescente que só queria crescer e ser independente. Uma menina adulta. Meu sonho era trabalhar e ter a minha casa. Desde muito nova – acho que com 8 ou 9 anos – reservei uma gaveta para as coisas da MINHA casa: um pano de prato bonitinho, um enfeite que ganhei de aniversário, uma caixinha de chá (que acabou estragando. Era um chá de gengibre com limão em uma embalagem linda, que eu guardei por anos). Com uns 10 anos fui trabalhar na loja de uma tia. Fiquei os dois meses de férias lá “atendendo clientes”. Na época eu achei que tivesse mesmo trabalhando, mas agora vejo que foi de “brincadeirinha”. Mas era isso que eu gostava de fazer: “brincar” de ser adulta. Com 14 anos quis trabalhar na padaria de uma tia, mas não aguentei o ritmo puxado e fiquei só algumas semanas. Aos 17 anos comecei a trabalhar de verdade e ganhar meu próprio dinheiro.

Por muitos anos, em todos meus aniversários e comemoração de Natal pedi dinheiro ao invés de presente. Eu tinha uma obsessão: ter a minha casa. Aos 16, 17 anos comecei a procurar apartamento. Poderia ser uma quitinete, um apartamento de um quarto minúsculo, caindo aos pedaços, desde que fosse meu. Eu não queria dar satisfação a ninguém, queria decorar tudo de vermelho, dormir a hora que quisesse, acordar quando tivesse vontade, ter autonomia e, finalmente, ser adulta, ter liberdade. Ufa! Ainda bem que eu cresci.

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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