Sobre decepcionar-se

Aí, você – de sobressalto – acorda e vê que aquela pessoa na qual você depositou tanta confiança não merece todo investimento, tanta consideração, nem tão pouco sua amizade, sentimentos e preocupações. É muito doloroso decepcionar-se. A sensação é de idiotice, enganação, de tudo em vão.

Bom – não é bem assim. Por um tempo toda a troca, seja a amorosa ou de amizade, teve lá algum sentido, suas motivações e até recompensas. Mas, passada a frustração, a gente sai bem mais forte.  É como se aquele chacoalho ou quase terremoto, abalasse; deixasse algumas rachaduras, porque não dizer, profundas. Mas depois permitisse uma cicatrização. Afinal os buracos surgem pela falta de conversa, alegrias compartilhadas, solidariedade. dos tempos perdidos ou ganhos – o que explica aquele algum sentido que citei acima – vão sendo aos poucos tapados. É de matar! Dizia um amigo. E não deixa de ser um processo de morte de um sentimento;

Mas decepcionar-se não é tão mal assim; não vale nenhum luto prolongado. Exige de nós, sim, doses de reflexão, menor lamúria e um olhar pra frente; porque o local onde a decepção deve ficar é sempre o passado. Não é à toa que colocamos “eu me decepcionei contigo ou com tal coisa”. Então, já foi, acabou. Ainda que o verbo queira insistir no presente – estou decepcionada!

Costumo pensar que tive poucas decepções ao longo da minha vida curta – pura sorte! Entretanto, o pouco quantitativo se traduziu em monumental dimensão. Aí as dores foram renais, só que simplesmente passaram, quando menos se esperava. Quando a decepção não fica no ontem, ela dá lugar à raiva, ao ódio; e não ao desprezo que é outro sentimento que casa bem com a decepção.

Quer saber? Decepcionar-se não passa de um porre que vai gerar grande ressaca, é claro – mas não precisa virar um coma. Tem o momento do  extravaso, do transbordamento, seguido da dor de cabeça que pode parecer durar a vida toda, mas o alívio chega em algum momento, quando a gente menos espera.

Denise, a transbordante

Sobre Denise, a transbordante

Transbordo em choros e risos, raiva e paciência, novidades e mesmices. Por pouco posso me indignar, como também explode em mim alegrias inesperadas por quase nada. Sou soma – de mim, dos outros, do mundo, do meu tempo. Às vezes, divisão; mas busco a multiplicação daquilo que acredito para que a essência não seja subtraída. Quero transbordar neste espaço com vocês, às quintas. Sou jornalista.

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