Ser herói de si

Naquela época eu era personagem primeira de minha história, embora pareça não ter sido. Embora eu quase acredite que era outra pessoa. Mas sei que era a protagonista, lembro de tudo com os olhos de narrador. Não onisciente, aquele que tudo sabe, pois em se tratando da vida real isso não é possível. Não sabia ler pensamentos, muitas vezes nem mesmo os meus. Mas era narrador em primeira pessoa, aquele que vive e conta a história sob seu ponto de vista.

Repassando alguns capítulos hoje na mente, é inevitável pensar em tudo o que eu mudaria. Ou será que mudaria mesmo? Se aquele velho ditado é verdade, o que somos hoje é o resultado de nossas escolhas de ontem. Assim as lições são aprendidas. E muita coisa boa veio no meio das nem tanto. Agora, me pergunto, narradora atual de mim mesma: pra que pensar se eu mudaria, ou não, se o que está feito, está feito; se não há a possibilidade de mudar nada, afinal? Para que se preocupar em devaneios com uma decisão que não levará a coisa alguma?

Melhor mesmo é aceitar a história, com Ser herói de si 1glórias e quedas, mocinhos e vilões, sendo eu hoje muito mais protagonista de filme de ação que qualquer outra, da minha história. Busco na memória heroínas passadas e me frustro. Por que sempre nos enfiam goela abaixo personagens que de ativas não tem nada, só esperam o salvamento? Me deem de presente mais lutadoras, espiãs, independentes, inventem algumas na versão para crianças, mas parem com isso de colocar a protagonista como papel secundário da própria história. Que enfado.

Vontade de ver um bom filme com uma mulher forte. Vontade de ler histórias infantis onde a representação feminina é ativa, decidida e unida. Vontade de construir uma boa heroína da minha vida, com erros e acertos, com espaço para outros personagens, mas sempre de cabeça erguida para curtir e enfrentar todos os próximos capítulos.

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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