Reféns do consumo

Descobri essa semana um documentário de Marcelo Massagão chamado “1,99, supermercado que vende palavras.” Um documentário que mostra a angústia, o desejo e a compulsão em volta do ato de comprar. O desejo que muitas vezes deixa de ser nosso propriamente e passa a ser induzido pelo consumismo. Esse documentário me fez pensar em minhas atitudes e me deu a resposta sobre a minha mania de ir ao supermercado.

Eu costumo ir ao supermercado três ou quatro vezes na semana e confesso que lá me serve como um refúgio. Quando estou ansiosa, cansada, o que me relaxa além do chocolate é pegar um carrinho de supermercado e percorrer prateleiras por prateleiras até eu me sentir mais aliviada, entro no supermercado para relaxar. Porém, nunca parei para pensar porque exatamente o supermercado e não outro lugar.

O passeio pelo supermercado muitas vezes me fez pensar que quando tivesse um emprego melhor, iria poder comprar os produtos importados ou não precisaria mais controlar os gastos durante a compra. A ilusão do poder de compra.

Com o documentário percebi que tudo são palavras, o que nos faz entrar em um supermercado e comprar não é propriamente o produto, mas sim, a mensagem que o produto passa: “você pode, feito pra você, você ficará linda, fique magra, faça dieta…você é único…E se parar para pensar em um instante, percebesse que perdemos a atitude, a identidade, onde nossas ações e sentimentos são tomados pela manipulação do consumo que se impôs na sociedade atual.

O supermercado é apenas um exemplo, mas, estamos rodeados de ofertas, de imposições, do que devemos fazer, como devemos nos comportar, o que é certo ou errado. Ou até mesmo que tipo de pessoa que devemos nos relacionar. Acabamos sendo rotulados. Quando perdesse a identidade, os sentimentos também ficam indefinidos e acaba-se muitas vezes não entendendo se o que você está sentindo é você mesmo que procurou ou foi induzido, como enfatiza bem o documentário de Massagão.

Assim, chegasse à conclusão de que não é mais somente na internet que vivemos no mundo artificial, fora dela também perdemos o sentido do real.

Segue abaixo o documentário. Ele é dividido em 10 partes.

Raquel Manzo

Sobre Raquel Manzo

Acredita que todas as pessoas tem chance de mudar a própria história, por isso escolheu ser professora desta área. Detesta o consumismo e a relação de aparências e aposta todas suas fichas no poder da juventude. Sonhadora em todos os sentidos, até mesmo em príncipe encantado encontrados em filmes de comédia romântica. "Busco ser descolada, mas ainda estou aprendendo!"

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