Realidade Paralela

Às vezes parece que vivemos em uma realidade paralela, em que determinados grupos de pessoas participam e que o restante das pessoas não enxergam essa vida paralela. É assim que se sentem a maioria dos professores que trabalham na rede estadual de educação no estado de São Paulo. Assim que colocamos nossos pés dentro da escola, parece que entramos em outro mundo e ficamos presos a ele.

Gritamos socorro, mas ninguém de fora escuta. Somos feitos marionetes do sistema de ensino imposto pelo governo estadual e federal. A marionete que tem que desenvolver índices enganosos, contribuindo para a divulgação de índices nacionais majestosos de qualificação e eficiência dos governos. Eficiência que nem o governo e principalmente os educandos têm de verdade alcançado, isso é apenas estatísticas camufladas que só quem vive diariamente nessa realidade paralela vê e se enoja e grita socorro, socorro.

Parece filme de terror ou drama, que você fica preso em um lugar e não consegue se libertar ou que uma pessoa inocente se torna culpada de algo e as pessoas não acreditam em sua inocência. Existem manipulações e manobras políticas principalmente do governo estadual de São Paulo (PSDB) que fingem estar fazendo o bem, mas na realidade estão buscando poder. Criou-se a divisão da profissão dos professores em categorias, evitando a união dos professores (categoria “O” não pode entrar em greve), o professor só terá oportunidade de ganhar um aumento salarial considerável prestando a chamada “prova de mérito” (apenas 20% dos professores ganharão aumento, pois, esse é o limite porcentual estipulado por cada prova e assim, faz com que os próprios professores entrem em disputa um com o outro). O bônus no final do ano, segundo o governo de Alckimin é um benéfico, mas na verdade é outra disputa que gera entre as escolas, pois, só ganham as escolas que apresentarem melhores índices. Qual é a escola que vai querer ter um número alto de reprovação e não atingir o índice? E o concurso público desse ano, será mesmo que o governo quer admitir 59 mil professores, tornando-os efetivos e aumentando e dando força à classe ou é apenas estratégia para ser usada em campanha eleitoral? Isso não parece, mas é um filme de terror e ainda estamos gritando socorro, muitos já agonizam.

Raquel Manzo

Sobre Raquel Manzo

Acredita que todas as pessoas tem chance de mudar a própria história, por isso escolheu ser professora desta área. Detesta o consumismo e a relação de aparências e aposta todas suas fichas no poder da juventude. Sonhadora em todos os sentidos, até mesmo em príncipe encantado encontrados em filmes de comédia romântica. "Busco ser descolada, mas ainda estou aprendendo!"

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