Quem foi Lee Miller

Uma das surpresas mais agradáveis que tive em minha última viagem ao México foi quando me deparei com a obra da fotógrafa Lee Miller, exposta pela primeira vez na América Latina no Museo de Arte Moderno. Entramos despretensiosamente na sala, sem saber muito o que esperar da exposição. Conforme conhecíamos sua vida e obra, foi inevitável o encantamento e identificação.

Nascida em 1907, em Nova York, a carreira de Miller começou assim, literalmente num empurrão. Andava distraída quando foi puxada para a calçada a fim de que não fosse atropelada. O homem que a salvou foi Condé Montrose Nast, fundador da Condé Nast Publications, grupo responsável por publicações como a Vogue e The New Yorker. Admirado com sua beleza, pouco depois daquele quase acidente ele a contratou para trabalhar como modelo, e nesse ofício ela se consagrou prontamente.

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Lee Miller, fotografada por George Hoyningen-Huene para a revista Vogue. Junho, 1931

Mal sabia que seu trabalho na frente das câmeras, embora reconhecido e notável, seria apenas outro empurrão que a vida lhe daria em direção à descoberta de seu mais genuíno talento. Aconteceu em 1929, quando mudou-se para Paris. Lá se relacionou e trabalhou com o artista e fotógrafo surrealista Man Ray, que lhe ensinou diversas técnicas e conceitos. Sob influência dele e de outros artistas surrealistas, Miller aprimorou técnicas de fotomontagem e efeitos de solarização (inversão das tonalidades de uma imagem, descoberta por Armand Sabattier).

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Lee Miller, autorretrato. 1929

Em pouco tempo montou seu estúdio e começou a trabalhar como retratista e fotógrafa de moda. Suas fotos dessa fase eram realmente interessantes, sobretudo aquelas em que trabalhou a fotomontagem, mas foi em 1944, após diversas mudanças, relacionamentos e abordagens distintas, que sua força e sensibilidade ganharam força ao tornar-se, como correspondente da Vogue durante a guerra, uma das primeiras mulheres a cobrir a linha de fogo. Seu trabalho como fotojornalista registrou de maneira notável – ora sensível, ora impactante – aquele período, como quando capturou mulheres brincando com máscaras de incêndio em meio aos destroços, ou quando registrou a execução do Primeiro Ministro da Hungria, Laszlo Bardossy.

Depois da guerra, continuou trabalhando para a Vogue, novamente envolvida com moda e retratos de celebridades. Como retratista, algumas de suas fotos mais conhecidas são as que tirou de Picasso, seu amigo assim como Miró e Saul Steinberg. Ainda que tenha se destacado na área da moda, tanto como modelo como fotógrafa, é notável – e necessário que se conheça – o trabalho espetacular que realizou como fotojornalista.

Caso queira conhecer a obra de Lee Miller, visite o site oficial do acervo aqui.

Gabriela, a observadora

Sobre Gabriela, a observadora

Tenho um gosto particular pelos pequenos prazeres que a vida pode proporcionar. Um tanto quieta e observadora, sonho muito, critico muito e gosto de me desafiar. De tudo que vejo, penso e sinto: conto, crônica e o que mais der na telha.

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