Queda do 9° andar

Palavrinha tão pequena, liberdade enfim cercada de tão grande decisão
Quando lá do nono andar a força foi necessária, não a bruta, mas do ecoar do ‘não’.
O ‘não’ esse que tão seco, repetia, perturbava a quem ouvia quem falava sem sermão
Cada letra que saía aumentava o abismo do buraco que crescia até então.
Preciso foi.

Se você fazia as malas, não se via lá na sala, muito menos no portão
Porque já desentendia a ajuda que eu pedia e eu pensava que queria a sua mão.
Quando aquilo que era oculto era dito com clareza e a clareza parecia ilusão
Por mais que se anunciasse o momento não chegava se não fosse aquele ‘não’.
Entenda.

Depois disso eu saí, cada passo desviei da intenção Queda do 9° andar 1
De voltar pra aquela vida, sete vezes escolhida como a única opção.
Da dor de ver partidas as lembranças esquecidas, tantas citadas em vão
Foi pior ver que sobrava só a poeira na sala numa casa que não tinha mesmo chão.
Perdoa.

As saudades das viagens, dos encontros de domingo, dos passeios e daquele macarrão
Balançavam e batiam em quem hora era euforia e noutras decepção.
Mas lembrei do meu problema, não só esse, mil dilemas e tanta preocupação
E que você não queria, não podia, e já dizia ‘não me peça solução’.

Foi tanto que treinei, quebrei e consertei a esperança entre realidade e ficção
Busquei a física quântica, dança, música, tecnologia, artes e violão.
Cada corda que doída, cada passo caminhado fez lembrar com gratidão
O que de bom eu tive, o que de bom eu dei, me entreguei na oração.

Natural tão qual o vento, já não era sem tempo, como um ápice de canção
Foi então que resolvi o problema tão antigo sem a sua intervenção.
Se não fosse a tal palavra não sei como estaria no meu rosto, hoje, a feição
Agradeço sua coragem e a força que me deste com teu tão sonoro ‘não’.

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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