Quarenta e oito horas

Quarenta e oito horas 1

O tempo é uma coisa interessante e às vezes parece relativo. Atualmente a meu ver, penso que está passando muito rápido. Quando eu era criança e adolescente parecia que o tempo demorava mais, os dias eram longos, o aniversário e o Natal pareciam nunca chegar.

Quando se vai envelhecendo, o tempo parece tão mais curto! Há tantas coisas que quero fazer e a impressão que tenho é que não elas não cabem no tempo que me resta.

Mas quero falar das quarenta e oito horas que vivi há uns dez dias. Meu netinho Christopher de um ano e nove meses ficou gravemente doente. Há principio não se descobria a enfermidade, hospital, médicos, exames cruéis e dolorosos para um menininho tão pequeno. Por fim se descobre uma grave pneumonia na base do pulmão. Iniciou-se um tratamento à base de antibióticos que não surtiam efeito. E o estado dele se agravando. Minha querida prima Tereza, enfermeira que vive nos Estados Unidos, analisou os hemogramas dele e os antibióticos administrados e nos aconselhou solicitar ao médico responsável que utilizasse um antibiótico mais potente para combater a infecção. O medico disse que aguardaria  mais quarenta e oito horas, o que segundo minha prima poderia ser fatal. Não nos restava mais nada a fazer, a não ser orar e esperar. Foram as quarenta e oito horas mais terríveis e longas que já passei. Numa situação assim é que reconhecemos nossa impotência frente aos fatos.

Mas seu corpinho sozinho, com suas próprias defesas, começou a reagir e a febre alta começou a ceder lentamente como uma noite escura que declina até ao amanhecer. E todos nós começamos a respirar aliviados como se o ar estivesse preso em nossos pulmões por quarenta e oito longas horas.

O tempo é mesmo relativo. Quarenta horas de alegria plena respira-se em um segundo. Quarenta e oito horas de uma agonia intensa nos sufoca.

Encontrei esse poema sobre o tempo que desconheço a autoria ao qual acrescentei mais uma linha:

Para você perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que repetiu o ano.

Para você perceber o valor de UM MÊS, pergunte para uma mãe que teve o seu bebê prematuramente.

Para você perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte a um editor de um jornal semanal.

Para você perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos enamorados que estão esperando para se encontrar.

Para você perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu um avião.

Para você perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.

Para você perceber o valor de UM MILISEGUNDO, pergunte a alguém que venceu a medalha de prata em uma Olimpíada.

Para você perceber o valor de QUARENTA E OITO HORAS pergunte a uma avó que teve seu netinho entre a vida e a morte.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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