Quantos anos você acha que eu tenho?

Um dia desses estava almoçando sozinha em um restaurante e prestei atenção na conversa da mesa ao lado (sim, tenho este péssimo hábito!).

A mulher contava a história de uma professora de 50 e poucos anos que passou por uma situação interessante. Durante a aula a garotinha de 11 anos perguntou quantos anos a professora tinha. Quase que imediatamente ela retrucou: – “Quantos anos você acha que eu tenho?”. A garotinha pensou por alguns segundos e respondeu: -“ 38!”. Muito feliz com a resposta da menina a professora seguQuantos anos você acha que eu tenho? 1iu sua semana até se deparar com outro aluno, desta vez um menino da mesma idade e que fez a mesma pergunta. Automaticamente a professora rebateu: “Quantos anos você acha que eu tenho?”. O menino olhou atentamente para a professora e, após muito observar, concluiu: – “53!”.

Arrasada com a resposta, a professora foi pra casa com a autoestima totalmente abalada, pois o garotinho havia acertado sua idade.

Acontece que a menina, mesmo muito jovem, conseguiu perceber a intenção da professora com a pergunta. Ela pensou por uns instantes e falou uma idade que achava que não iria desagrada-la, ou seja, algo que ela gostaria de ouvir. Já o garotinho, com objetividade, disse realmente qual idade ela aparentava ter.

Esta história que ouvi me fez perceber como a relação da idade é tão importante especificamente para nós mulheres, parece que já nascemos com isso. Em uma sociedade que valoriza tanto o jovem, com campanhas publicitárias exibindo corpos sarados, rostos sem rugas, dentes extremamente brancos e pessoas irritantemente perfeitas, é difícil não sofrer com isso. Sofremos, pois é algo que não podemos controlar… o tempo passa para todos.

Ainda estava prestando atenção na história da mesa do lado quando a mulher continuou contando sobre o desabafo da professora com uma amiga de nacionalidade alemã. A amiga custou a compreender o porquê do sofrimento, pois na cultura europeia, as pessoas não estão presas ao estereótipo do jovem. Cada idade tem a sua beleza e, além disso, com a idade passa-se a valorizar a beleza maior que são os aspectos internos e intrínsecos do ser que já passou por diversas experiências, aprendizados, conquistas e já olhou o mundo de tantas formas que hoje sabe o que importa, podendo escolher qual é jeito mais leve de encarar a vida.

Fiquei pensando sobre esta história e sobre todas as vezes em que eu já perguntei: “Quantos anos você acha que eu tenho?”. O que será que eu queria ouvir?

Confesso que é um pouco desesperador me olhar no espelho e ver como meu rosto está mudando. Minhas pálpebras caindo, as ruguinhas no pescoço…  sem contar nos cabelos brancos bem na franja! Mas nós vamos aprendendo a ver que tudo isso faz parte do charme de cada fase.

E hoje posso dizer com orgulho que as rugas mais expressivas em meu rosto estão ao redor dos olhos.

São rugas de tanto sorrir!

Mariana, a sensível

Sobre Mariana, a sensível

Sou apaixonada por tudo que se move ou move algo dentro de mim. O diferente me fascina e o improvável me desafia a querer me superar em todos os sentidos. De modo geral, acredito nos ensinamentos do mestre Mahatma Gandhi: de modo suave, você pode sacudir o mundo.

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