Quantas primaveras você está fazendo?

Você já deve ter ouvido a pergunta, talvez há alguns (muitos) anos feita em seu aniversário: quantas primaveras você está fazendo? Quando criança, eu achava isso muito esquisito e revirava os olhos com um pequeno suspiro antes de responder. Não lembro quando me ensinaram, mas sabia que a resposta deveria ser minha idade. Hoje, adulta, descobri que a pergunta, feita mesmo sem pensar, tem muito mais a ver com ciclos do que com números. Que começam e terminam, se renovam, mudam e se repetem. Quem inventou a pergunta foi um ~serumaninho~ muito inteligente.

É engraçado pensar que tal questionamento sobreQuantas primaveras você está fazendo? 2 a idade só era feito no aniversário e não em qualquer outra época do ano. Ninguém perguntava quantas primaveras você “tinha” quando já havia passado um mês, mas quantas você estava fazendo assim que entrava na nova fase. Cada estação acontece só uma vez por ano e segue uma sequência, mesmo que de forma que pareça um pouco bagunçada. Hora intensas, hora suaves, hora parecendo ter se confundido com a estação vizinha. Mas segue uma certa ordem.

O que isso tem a ver com nossa idade? No sentido prático, provavelmente o fato de que, se você tem, por exemplo, 35 anos, passou pelas estações do ano 35 vezes. Com nossos ciclos, porque também temos fases. Mas por que a primavera? Porque ela é a estação de florescimento, de renovação das folhas e flores que foram antes derrubadas em outras estações, também necessárias. Se a vida fosse só florescer, como daria tempo de se renovar?

Se não tivéssemos nossos ciclos de aprendizado, recolhimento, quedas, como daria tempo de aprender, de reerguer, de tudo fazer sentido e então florescermos novamente? Precisamos de tempo, dos ciclos. A pergunta no aniversário lembra justamente o encerramento de um ciclo, a idade anterior, e o florescimento para outro, a idade nova. A mudança de estação, também. Hoje a primavera chegou por aqui do lado de fora. Que tal respeitarmos nossas estações para aproveitá-la também cada vez que ela vier do lado de dentro?

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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