Pseudo Inclusão

Lendo e refletindo a matéria da Cecília sobre o professor, recordei-me de um assunto muito pertinente na Educação. Acho que pior que fazer esses comerciais sarcásticos, e o mísero salário de um Educador nesse país, pior do que tudo isso e muitas outras coisas que enfrentamos no nosso cotidiano é a “falsa inclusão”, se é que existe inclusão nesse país. Ah, claro que existe, tinha me esquecido está na lei, na Constituição ou nos “raios que os partas”, como diz minha  mãe.

A lei é clara, temos que incluir a criança deficiente na escola, tudo bem, concordo plenamente. Mas, pior é quando temos que incluir um e excluir vinte e nove como já aconteceu comigo. Isso sem falar quando a mãe não aceita que a criança é deficiente, e você não pode dizer isso à ela, afinal, somos educadoras e não médicas ou psicóloga. Claro que existem algumas psicólogas muito “sem noção”, fora da realidade. Bem falarei sobre isso futuramente.

O fato é que as escolas cumprem a lei, mas só no papel porque na maioria das vezes não estamos preparadas para receber essas crianças. Tudo bem, estudamos quatro anos para isso, e continuamos sempre nos aperfeiçoando, mas não estudamos especificamente cada deficiência, e eu posso dizer que aqui na rede municipal de Sorocaba isso é gritante, não temos preparo nenhum para receber uma criança deficiente.

Vou contar um fato que me aconteceu. Em 2009 eu tive uma aluna, vou chamá-la de Lay, pois não posso dizer nomes de alunos. O fato é que ela não falava e não ouvia, usava aparelho e tinha a idade auditiva de um ano, porém tinha três anos de idade. Eu e minhas amigas tínhamos as melhores das intenções em ajudá-la pedagogicamente, porém, não tínhamos preparo para isso. Achávamos que se falássemos firme, com bastantes gestos e abrindo bem a boca poderíamos ajudá-la, afinal, sua mãe disse que ela iria ouvir e falar, não sabia quando. Eu estava tão neurótica que já estava falando em casa com meu filho e meu marido igualzinho falava com a Lay, imaginem, meu marido e meu filho disseram: hellooou! Não somos seus alunos, acorda, enlouqueceu! Bem, eu realmente quase enlouqueci, e pior, descobri que estava fazendo tudo errado, que deveria fazer o contrário, pois falando alto eu estava piorando as coisas, estressando a criança e atrapalhando o seu desenvolvimento. Enfim, como não percebíamos progresso, imploramos pela ajuda de um profissional (APADAS – ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DE DEFICIENTES…) que depois de algum tempo veio amparar nossos anseios.

A moça da Apadas foi até a nossa escola, observou a criança, fez umas atividades com ela e nos disse que a aluna só iria conseguir ter progresso se nós educadoras deixássemos que ela fizesse as coisas por si só, sem forçar, ou seja, teríamos que falar com ela de uma forma branda para que a mesma aprendesse, o interessante seria colocá-la na frente na hora da história e alguns outros cuidados específicos.

Resumindo: estávamos fazendo tudo ao contrário. Bem, mas depois do apoio de um profissional nessa deficiência, mudamos o modo de agir e após alguns meses a menina falou com uma voz trêmula e insegura ÀGUA, exatamente assim, confesso que nesse momento eu chorei. Finalizamos o ano com a certeza de que tinhámos plantado uma sementinha.

Pensem, se nesse país a educação fosse levado mais a sério, tivesse mais qualidade, vejam quanta coisa boa poderíamos fazer além dos milagres que já fazemos. Mas por que investir na educação se podemos ter cidadãos “burros” para não terem argumentos e opinião na hora do voto?

Será que querem mesmo educar, ensinar, criar cidadãos conscientes, de opiniões etc. e tal, com dizem? Balela, tudo balela.

É difícil ser professor? Ah, se é, mas é gratificante e recompensador, pelas crianças, com certeza. Difícil é ser considerada como babá, mãe, instituição assistencialista etc. Detalhe, aqui em Sorocaba quem pensa assim são alguns representantes do povo como vereadores por exemplo.

Tudo isso é revoltante, desgastante e desanimador.

Pronto, falei….

Comente este post!

O seu endereço de e-mail não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados (*)

Comentário *