Primaveras vermelhas

Primaveras vermelhas 1

Quando construímos nossa casa, o que eu mais queria era ter uma primavera  cor de rosa que crescesse e caísse sobre o muro, contei isso para a minha mãe. Alguns dias depois ela me trouxe uma muda de primavera, só que vermelhas. Eu aceitei o presente, porém um pouco contrariada. Plantei a flor que cresceu e floriu flores vermelhas. Todas as vezes que eu olhava para elas, eu pensava: – queria que as flores fossem cor de rosa.

Esta semana, a primavera voltou a florescer, flores vermelhas. Quando olhei para elas esta manhã, eu chorei, pois são as flores mais lindas que já vi. Elas estavam banhadas pelos raios matinais do sol. Foi como se eu as visse pela primeira vez. E agora estou feliz que elas sejam vermelhas, elas lembram minha mãe, eu a perdi recentemente. Ela amava flores vermelhas.

Passei anos, insatisfeita com a primavera vermelha, desejando que ela fosse rosa. Eu continuo gostando das primaveras rosa, o que mudou foi meu olhar, minha perspectiva. Agora quando olho para as lindas flores vermelhas, meu coração fica enternecido, elas me trazem lembranças preciosas.

Encontrei uma matéria no site: http://mulher.uol.com.br sobre a insatisfação que diz: Afinal, por que o ser humano nunca fica satisfeito? “É uma característica que está na origem do desenvolvimento da nossa espécie”, diz Eugenio Mussak, médico de formação, professor da FIA-USP (Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo) e da Fundação Dom Cabral nas áreas de liderança e gestão de pessoas, além de escritor e palestrante.

Para Mussak, a insatisfação na história da origem da humanidade pode ser considerada positiva, pois possibilitou a evolução e fez o homem se movimentar para viver melhor. O problema é que o acesso às inúmeras facilidades do mundo atual, dos bens de consumo e serviços à informação, elevou muito os padrões de satisfação. “É difícil hoje ficarmos satisfeitos ou pelo menos satisfeitos por muito tempo”, observa.

Ao ler a matéria fiquei pensando nas minhas insatisfações e o porquê delas. Descobri que podemos mudar nossas perspectivas, nosso olhar e vamos descobrir que temos muito mais coisas para agradecer do que ficar sofrendo com insatisfações.

Foram as flores de minha mãe que me fizeram refletir, elas continuam vermelhas, quem mudou fui eu.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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