Precisamos falar sobre aborto

Antes de qualquer coisa, sim, é necessário debater sobre o aborto. Por quê? Porque estamos falando de saúde pública, não sobre cristianismo ou ‘achismo’. Ao tocar no assunto estamos tocando em milhares de mulheres. Pesquisas apontam que, a cada dois dias uma brasileira (pobre) morre vítima de um aborto inseguro. Pobre, porque as mulheres que tem condições financeiras de pagar um aborto seguro, o fazem tanto quanto as que não têm.  A mulher que aborta, normalmente tem filhos, é casada, segue uma doutrina e pertence a todas as classes sociais. A mulher que aborta está fragilizada e muito provavelmente teve de fazer isso sozinha, escondida. Quando não, ela foi deixada pelo próprio namorado/marido na porta da clínica. A mulher que aborta na maioria das vezes é contra aborto, e se castiga pelo resto da vida quando o procedimento dá certo.

Enquanto a ferida é aberta psicologicamente na mãe e na criança, tudo bem. 5,5 milhões de crianças estão sem o registro paterno no Brasil. Nesse caso, não é crime. Mas e quando a ferida é aberta na mãe, aí ela é chamada de vagabunda, “deveria ter fechado as pernas”, ou até mesmo como li outro dia no caso do pai abandonar a mulher grávida “que tal escolher melhor com quem você transa?”. Juro que quase chorei depois de ler estas informações ditas por uma Doula. Vocês conseguem enxergar a tamanha hipocrisia?

Vamos pensar nos métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS: preservativo masculino e feminino, pílula combinada, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, dispositivo intrauterino com cobre (DIU T Cu), diafragma, anticoncepção de emergência e minipílula.

Pois bem, logo vemos que a única opção masculina é a camisinha. Um indício de que a mulher arca com a maior parte da responsabilidade de se proteger. Esse pensamento deriva do fato da mulher carregar o sistema reprodutor, e por algum motivo isso leva os homens a pensar que o trabalho é todo delas. Sabemos também que para conseguir utilizar um dos métodos, existe uma burocracia danada em cima, além de “contraindicações” para mulheres que nunca tiveram filhos. Nesse ponto acho um absurdo como a mulher é tratada; é como se, se ela ainda não teve filhos, melhor não se proteger, a qualquer momento pode chegar a hora e ela não pode não querer, afinal essa é a função dela na sociedade. Pensamento primitivo.

Sim, os métodos falham. Para cada um eu conheço uma moça que engravidou utilizando contraceptivo. E não é por isso que alguém tenha que deixar de transar.

Depois temos os fundamentalistas, religiosos se baseando em trechos da bíblia pra justificar sua opinião pessoal. Percebam que sou alguém com meus próprios princípios e moral, mas estes não podem falar pela vida de uma moça. Entendam, estamos falando sobre milhares de mulheres morrendo por falta de atendimento hospitalar, por falta de OPÇÃO, isso é saúde pública. Toda mulher tem o direito de optar por um aborto seguro, de optar por viver. Ou se vê obrigada a criar uma vida sem condições psíquicas e financeiras, de gerar uma criança educada pelas ruas e mal alimentada, podendo ainda num futuro próximo se envolver com a criminalidade, afinal de contas quem vai dar emprego a um jovem mal educado? E se vira bandido ou morador de rua a sociedade quer eliminar o sujeito.

Essa não pode mais ser a realidade da mulher brasileira, nós temos que poder optar por segurança e dignidade! Não podemos generalizar as mulheres num só padrão criminalizando-as por não poder criar um novo ser humano. Cada uma tem suas limitações, cada uma vive uma realidade.

Sobre Ana, a desprendida

Despida de todos os preconceitos, grande entusiasta de toda e qualquer manifestação artística, amante do "fora do padrão" e desprendida das coisas materiais, Com 21 primaveras, essa Ana também é Maria. Ligada na da espiritualidade, na força da natureza, nos rituais ancestrais; para mim, somos seres espirituais passando por uma experiência humana. Leonina com ascendente em capricórnio e lua em câncer; Capricórnio segura (e julga, rsrs) meu ego de Leão, enquanto câncer me faz querer amar o mundo inteiro! Às vezes sou novamente uma criança encantada com as pequenices da vida, outrora uma mulher empoderada e humana que clama por justiça.

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