Pornô Feminino

Durante as últimas décadas, a indústria pornográfica foi marcada por cenas explícitas, com corpos cada vez mais acrobáticos e closes nauseantes. As produtoras pareciam competir em ousadia sexual, como foco nos corpos e zero enredo.

Mas a partir de 2007, mais ou menos, a indústria pornográfica, sinônimo de dinheiro fácil, começou a decair por causa da Internet. Os conteúdos caíram na rede, além de muitos vídeos amadores que foram disponibilizados. Depois inventaram até uma versão pornográfica para o youtube.

De repente, a indústria empobreceu e podou oportunidades para produtoras, diretores e atores. É porque você pode ter um carinho especial por uma banda e, ao invés de baixar uma música na web, comprar um CD e pagar pelos direitos autorais. Mas bem, com pornografia, não há exatamente fidelização.

O caminho encontrado por alguns produtores foi lançar vídeos mais sofisticados, com qualidade de enredo, cenários, figurinos e sexo menos agressivo, numa produção mais cinematográfica.

Nesse novo expoente, está a diretora Erika Lust, dona da produtora Lust Filmes. Uma cineasta formada em Ciências Políticas e Estudos Femininas da Universidade de Lund na Suécia, que produz filmes para mulheres.

Seus longas são escritos e produzidos por mulheres e para mulheres. Em entrevista, Erika declarou que se apoia no enredo e na espontaneidade. “Meus filmes têm um passado e um futuro. Realmente conto quem são essas pessoas e porque elas se sentem assim umas pelas outras. A maioria dos outros filmes pornô é tipo, “um sofá”, e começa daí. Não sinto que isso seja para mulheres em geral, acho que somos todos indivíduos quando se trata de sexualidade, mas pra mim, é difícil ficar excitada quando você não sabe o que está acontecendo”.

Segundo a diretora, é completamente diferente do pornô tradicional. “Preciso dizer para os atores transarem como fazem na vida real. Nos meus filmes, o prazer não está centrado só no sexo masculino e nos arquétipos de prazer dos homens, mas na possibilidade de prazer para os dois sexos”, afirma.

Para escapar da gratuidade da Internet, Erika disponibiliza no site de sua produtora todos os seus filmes e informações sobre making off. Para assistir a alguma produção, você compra pacotes de acesso por tempo limitado.

E aí? O que você acha dessa mudança?

 

Ellien Saccaro

Sobre Ellien Saccaro

Jornalista que gosta de boas histórias, boa comida, boa companhia e vê a vida de uma forma mal humorada,mas positiva. "Me acompanhem com filosofias de vida, crônicas do cotidiano, problemas femininos e uma pitada de polêmica."

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