Por que amamos Colin Firth?

Eu sei, eu sei. Pode ser que você leia este título e revire os olhos, achando que aqui está mais um texto piegas sobre como amamos arquétipos hollywoodianos de Príncipe Encantado. Mas a questão é que existe um propósito na minha reflexão.

Semana passada, assisti um filme com o meu namorado – “Simplesmente Amor” (não me julgue!). Eis que, se você não viu o filme, são várias esquetes que se intercruzam em histórias de maior ou menor intensidade de sentimentos. E o meu favorito, por coincidência (ou nem tanto) é exatamente o de Colin, noivo de uma moça que o trai com o próprio irmão – #drama! – e vai passar o final de ano sozinho e abandonado, com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança em um chalé digníssimo e bucólico na França. Claro que o galão precisa de alguém pra limpar a casa: a bela portuguesa Aurélia. Sem falarem uma língua em comum, eles se apaixonam sem conseguirem se comunicar propriamente. Acho digna esta capacidade e bem simbólica também. Antes mesmo que eu falasse, quando meu namorado viu o Colin, deu-se o seguinte diálogo:

– Ah, claro que sua historinha preferida é com ele.

– Mas como é que você…

– Eu não sei por que, mas a mulherada descabela com o Colin Firth.

Verdade. Ele pode não ser o preferido, mas conheço poucas mulheres que, de fato, recusariam Colin. Ele é o primor da beleza? Não. Há uma lista quilométrica de galãs mais jovens e mais bonitos do que ele. É um cafajeste-malandro-vou-te-fazer-sofrer? Não, o Reino Unido já nos deu Gerard Butler, que realiza sua função muito bem. Exceto o tipão bonzinho-bocó, nenhum estereotipo atraente cai bem para Sr. Firth.

E, evidentemente, meus pensamentos não pararam por aí. Dissequei, pensei, articulei. E notei que exite, sim, algo que atrai 99,9% das mulheres: gentileza. Não tem nada a ver com abrir a porta do carro ou pagar a conta (isso é machismo). Muito menos tem relação com buquês de flores, chocolates no trabalho ou SMS apaixonado no meio do dia (isso é romantismo que tange a pieguice).

Gentileza é a capacidade de perceber a pessoa ao seu lado tão bem que logo se nota quando algo não está nos eixos e o esforço é todo direcionado para fazer aquela dor passar. Gentileza é querer garantir que tudo ficará bem, mesmo que isso não possa ser de fato garantido. É reconhecer que os seus esforços fazem a diferença e colocá-los a disposição da felicidade da sua mulher. É um tipo de sensibilidade que só um sentimento forte, com muita autoconfiança e autoconhecimento consegue atingir. Só sendo muito apaixonado, seguro de que o amor não é uma forma de rebaixamento e sabendo muito bem distinguir o joio do trigo é que um homem consegue se colocar integralmente à disposição para ajudar a construir a complexa satisfação feminina.

É a expectativa de um homem que consiga colocar a nossa felicidade dentro dos seus próprios objetivos que nos encanta e nos fascina tanto. O melhor disso é que, para quem souber escolher e esperar, trata-se de algo tangível, atingível e não-perecível. E para vocês, homens – se você amou ou ama uma mulher de verdade, consegue perceber que não é difícil ser um Firth.

 

Cecilia Garcia

Sobre Cecilia Garcia

Libriana com ascendente em Sagitário, e, além de tudo professora, acredita que, para tudo nessa vida, há de se ter uma explicação, exceto para falta de educação gratuita (que a tira do sério instantaneamente. Cinéfila, amante de livros e sonhadora, pensa muito, o tempo todo, sobre quase tudo. Também é nerd e boleira, se identificando muito mais com o mundo masculino do que com o feminino em alguns momentos. Tá achando um pouco misturado demais? Coloque aí um sangue espanhol que ferve rápido e divirta-se com o resultado: um olhar otimista sobre a vida, mas sem perder o sarcasmo jamais.

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