Padrões sociais e o que você pode fazer sobre isso

Julgamentos sobre a aparência alheia são uma constante em nossa sociedade e muita gente apoia a discriminação sem perceber. Um post que, em um primeiro momento, parecia ter uma discussão interessante falava sobre a padronização na forma de se vestir em casas noturnas. Dizia: “Homens com a mesma marca de camisa e mulheres com o conjunto saia colada ‘a vácuo’ e blusinha”. Pessoas compartilhando o post como se quisessem com isso fazer alguma justiça. Mas, espere. Antes de criticar cegamente, pare e pense: é tão simples assim mudar? Já parou para pensar que não é fácil quebrar um padrão visual em nosso país? Sabe por quê? Todo mundo igual, Juvenal 4

Uma resposta nua e crua: porque não existe respeito. Respeito pela diversidade. Um bom exemplo é a própria repercussão do post, que tanto criticava quem se veste com um “uniforme” social. Como foi citado, são passados os mesmos perfumes, usados os mesmos tipos de roupa… e eu complemento: todos são condicionados a terem o mesmo tipo de cabelo, o mesmo formato de corpo e um comportamento descolado. E a gente não se pergunta porquê. Não paramos para pensar o motivo de não conseguirmos deixar de usar um uniforme não apenas na festa, mas no cotidiano em geral.

Muito se é discutido sobre estereótipos quando se fala da obrigação que a mídia nos impõe de sermos magros, por exemplo; isso todo mundo já sabe. Mas sobre as roupas que se usa e o comportamento que se tem, as pessoas ainda não percebem o tamanho do preconceito que existe em torno da aparência nestes outros aspectos. E em um lugar como uma festa, onde as pessoas querem ser aceitas e estão sendo julgadas primeiramente pela aparência, elas vão ter coragem de ser diferentes? Ou até mesmo, elas chegam a pensar nessa possibilidade?

A culpa de tudo isso é de quem? Avalie você mesmo seu pensamento

Você sai na rua e vê uma mulher com os cabelos cobertos por um véu. Você age Todo mundo igual, Juvenal 2normalmente, ou você olha para trás para observar melhor? O mesmo vale para pessoas com a barba muito comprida; pessoas que pintam o cabelo de roxo, de verde, de pink, de duas cores. São exemplos diferentes, mas você os julga. Seja pelas características citadas, seja por outras. Muitas vezes, pessoas que não julgam as outras por serem diferentes e dizem que não tem preconceito, falam mal de quem é arrumadinho demais, de quem não transgride regras. Isso também é julgar.

Então, de volta à pergunta, a culpa de haver este estereótipo, esta uniformização, estes padrões, é de quem? É nossa. E acontece todos os dias, na rua mesmo, que é pública. A pessoa sai vestida diferente e escuta coisas desagradáveis. E uma razão bem plausível é esta: ser diferente é ser “digno de ser julgado”, mesmo que seja por um detalhe bobo, como um chapéu em um dia de sol, um corte de cabelo moderno, uma roupa ultra-colorida. É cultural, não respeitamos as diferenças e muitas pessoas nem percebem que existe tanto preconceito e saem iguais sem saber o porquê, sem pensar sobre isso.

Na rua já é assim. Em ambientes como uma festa, em que a imagem inevitavelmente é o que será avaliado primeiro, também. E quem vai ser diferente? Quem vai se arriscar a ser de outra forma e aguentar o tranco das frustrações que virão? Algumas pessoas já fazem isso, já perceberam que na verdade não querem mudar o cabelo, não querem andar com uma roupa igual a das outras pessoas porque, afinal, nem se sentem confortáveis com ela, e conseguiram começar a bancar outras escolhas. Mas muitas delas não percebem que estão se obrigando a se enquadrar em um padrão e por isso continuam nele. E outras se sentem mal por gostarem do padrão. Se é algo que as faz bem, por que não? Todo mundo igual, Juvenal 1

Vamos julgá-las? O máximo que podemos fazer, se não gostamos disso, é não sermos assim. Seja o “assim” o que for. É escolher coisas diferentes baseadas no que a gente gosta de verdade. E parar de julgar os outros e os estilos. Quem sabe assim veremos mais diversidade nas ruas, nas festas, em lugares em que deveríamos ter a liberdade para sermos nós mesmos? Quem sabe essa não é uma discussão para termos conosco sobre as escolhas que temos feito?

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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