Os três Mosqueteiros do Rei

Os três Mosqueteiros do Rei 1

Hoje gostaria de escrever um pouco sobre amigos de longa data. Gostaria de falar de Franck, Áurea e Nonô. Tenho outros amigos maravilhosos, mas quero fazer uma homenagem a esses três amigos tão queridos.

Conheci o Monsieur Franck Laurent em 1992 quando visitei a Aliança Francesa de Campinas, ele era o diretor. Um amigo francês levou-me até lá. Então conheci  M. Laurent, costumo dizer que nossa amizade foi “amor a primeira vista”. Eu queria aprender francês e tinha uma bolsa de estudo lá em troca de horas de trabalho na biblioteca, uma bolsa cobiçada por muitos estudantes mas ele resolveu  dá-la a mim. E assim começou nossa amizade que dura até hoje e tenho certeza que é para sempre.

Depois veio a Aurinha do Rio, que nasceu no Nordeste e começou a chamar o M. Laurent de “meu rei” e depois veio Nonô e nos transformamos em “Os três Mosqueteiros do Rei” e assim nos tornamos quatro amigos embora longe um do outro, inseparáveis, eu aqui em Campinas, Aurinha e Nonô no Rio e o Franck na França. As pessoas às vezes me perguntam como nossa amizade permanece. Sempre digo que nossos corações estão sempre juntos e que nossa amizade é tão verdadeira que é embora não estejamos o tempo todo juntos, quando nos encontramos é como se nunca tivéssemos nos separado, os quatros juntos é uma festa de risos, brincadeiras, confidências, conversas infinitas e muita ternura.

Como disse Vinicius de Moraes, “a gente não faz amigos, reconhece-os, eu me sinto abençoada por ter amigos tão maravilhosos, onde não precisamos usar nenhuma máscara, onde podemos nos despir de nós mesmos, ser o que somos, dizer o que pensamos, sem medo de sermos recriminados, julgados ou mal entendidos. Amizades assim são raras e por isso muito valiosas. Eu não consigo imaginar minha vida sem eles, sem o otimismo do Nonô, o jeito divertido da Aurinha e as risadas e o carinho do Franck. Sempre digo que quero partir deste mundo antes deles pois sou egoísta demais para deixá-los partir antes e me deixarem sozinha aqui. Quero deixar aqui um poema de Vinicius de Moraes que traduz o que sinto por eles.

Amigos – Vinícius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências …

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

 

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer …

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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