Os dois meninos

Os dois meninos 1

Creio que os pais e mães não têm noção da influência de  seus atos em seus filhos. Meu filho me pediu para contar uma história de sua infância, um fato que eu nem me recordava mais. Ele disse: – Mãe conta sobre os dois meninos. Eu perguntei quais meninos e ele me contou.

Quando meu filho tinha por volta de onze anos, num fim de tarde chuvoso, dois meninos aparentando entre seis e oito anos bateram em nosso portão pedindo comida, eles estavam sujos e molhados. Eu os levei para dentro de casa, dei banho nos dois e os vesti roupas limpas do meu filho, roupas que ele mesmo escolheu, depois enquanto meu filho escolhia entre seus brinquedos alguns para dar aos meninos, preparei uma refeição e nós quatro sentamos à mesa e comemos.

Quando os meninos foram embora felizes com roupas secas e quentes e com brinquedos, meu filho disse: – Mãe, amanhã eles vão ficar com fome de novo. Eu respondi: Sim, pode ser, mas hoje não.

Ele me contou essa história com a voz embargada de emoção então percebi o quanto esse simples ato o marcou.

Fiquei refletindo sobre nossa influência sobre nossos filhos e pensando em que tipo de pessoas nós queremos que eles sejam.

Sempre que alguém conhece meu filho, elogiam o tipo de pessoa que ele é, diz o quanto ele é gentil e atencioso com sua esposa e filhos e com as outras pessoas. Isso me enche de orgulho e sinto que tudo valeu a pena.

Passamos muitas privações enquanto ele crescia e eu sempre me sentia culpada de não ter proporcionado a ele tantas coisas que eu julgava que ele precisasse.

Eu queria dar a ele presentes caros, viagens, um intercâmbio fora do país e muito mais, coisas fora do meu alcance.

Então entendi que eu dei ao meu filho tudo que ele precisava, dei a ele momentos marcantes e felizes. Dei a minha presença e atenção. Era tudo que ele precisava enquanto crescia para se tornar a pessoa maravilhosa que é hoje.

Acir Montanhaur

Sobre Acir Montanhaur

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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