Onde está seu ponto de referência?

Era um muro bem grande, desses que pegam a esquina toda, bem alto e bem verde. Toda semana eu passava por ali e, quando avistava o monumento, ligava a seta e rodava o volante para entrar na “rua do muro”. A gente se acostuma rápido e ele virou minha referência, grande e inconfundível. Um dia, passando de carro com alguém por ali, falei: “Faço curso nessa rua, viro sempre naquele muro verde”. E a pessoa brincou: “Então se Onde está seu ponto de referência? 1pintarem o muro de outra cor, você vai ficar perdida!”.

Rimos muito e eu deixei a pessoa ir a pé o resto do caminho para não julgar minhas habilidades de localização (tá, só pensei na hipótese). Rimos porque era claro que com muro, ou sem, eu chegaria ali. Mas algo me fez pensar para além daquele verde vibrante. Dependendo de um fator externo e que pode mudar a qualquer momento, quando ele de fato mudar, vamos ficar perdidos?

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No caso do muro, parece óbvio que eu não precisava dele: apesar de importante, não era o único ponto de referência. O caminho estava na minha cabeça. Agora, no caso da vida, isso fica um pouco mais difícil de reconhecer. Muita coisa é como o muro verde. Importante, ajudou a achar o destino, parece que vai estar lá para sempre, dá uma segurança enorme de que o caminho está certo. Mas, se ele mudar, se por algum motivo sumir, é possível não se perder.

Porque, por mais que estejamos habituados a ele, vamos saber o que fazer se tivermos aprendido o caminho. Se aproveitarmos o trajeto para prestar atenção, aprender, o muro vai continuar sendo ótimo. Mas, se ele for derrubado vamos sobreviver, pois a referência está aqui dentro e não lá fora.

Às vezes nosso ponto de referência é uma pessoa que nos aconselha; um status de relacionamento; um emprego, que assina o que somos no mundo corporativo. É difícil quando essas características mudam contra nossa vontade. É chato e por vezes doloroso termos que nos adaptar. E é claro que isso tudo é muito mais complexo do que a cor de um muro que você usa para achar uma rua, mas a lógica é a mesma. Porque, enquanto estamos vivendo essas experiências, podemos, em vez de depender delas, aprender com elas.

Assim, para a pergunta:
“Se mudar o ponto de referência, vamos ficar perdidos?”

a resposta pode ser:
“Um pouco (talvez muito), mas vamos conseguir nos virar”.

Porque vários pontos compõem as referências. Dependa mais do caminho que você sabe que tem aí dentro, confie nele. E não é que outro dia, de uma semana para outra, pintaram o tal muro de branco?

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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