Olhar o próximo

Esta semana fiquei envolvida com as notícias dos médicos estrangeiros que vieram ao Brasil para trabalhar no Programa Mais Médico, criado pelo governo Dilma, afinal não se fala em outra coisa na mídia.

 Não quero adentrar muito sobre o assunto, afinal não se têm à realidade dos  fatos na prática.  Os médicos brasileiros estão certos em lutar, fazendo manifestações,  até porque são eles os médicos brasileiros que sabem e conhecem bem a realidade da saúde pública no Brasil. Os médicos estrangeiros  por sua vez  estão aceitando uma proposta de trabalho do Brasil para eles serve de crescimento profissional e  uma ajuda à nossa, afinal “pobre nação”.

Na verdade, o que está por trás de  tudo isso é que assusta. Será mais uma jogada política? Quem está ganhando com o quê?  (cenas para um próximo capítulo).

Tais notícias me fizeram refletir sobre as atitudes de um médico que descobri em minha rede social. Lá assisti um vídeo chamado O diário do Inferno – Dr. Marcelo-parte I e  II. Confesso que fiquei chocada com a realidade mostrada neste vídeo sobre a Cracolândia. As imagens mostram uma medicina exercida em “campo” da qual ele têm que lidar com a triste realidade do mundo das drogas, algo que ele jamais poderia imaginar que existisse.

Os vídeos são muito fortes, mostram como as pessoas usuárias de droga vivemem São Paulo, mais precisamente na região da Luz. A realidade lá é dura:  casas demolidas, abandonadas, sem teto, paredes, porões, muito sujo, um abandono total, onde tudo junto se resume a pequena cidade chamada  “Cracolândia”. O local com suas próprias leis, normas e regras e seus ‘zumbis’ muitos o poder de escolha, pois vivem a margem da sociedade e são vistos como meros problemas de ordem pública se resumindo a nada para nossa sociedade.

Tudo isso me fez perguntar: o que teria levado o doutor Marcelo dos Santos Clemente, um jovem de origem humilde, pai alcoólatra, que aos 14 anos, viu sua mãe ser tirada de casa numa camisa de força e ser internada em um manicômio a escolher trabalhar diretamente com usuários de crack?

Estudante de escola pública, foi aos 21 anos que ele entrou na faculdade de medicina mais concorrida do Brasil – a  Universidade de São Paulo (USP).

Os pacientes por ele tratado têm enorme admiração, em alguns depoimentos ele falam que o doutor não tinha medo deles e tratava todos com igualdade. Dois deles falam: “não era somente o remédio que ajudava e sim o abraço dele” ;  “ Ele pegava na mão da gente sem luva.”

Infelizmente doutor Marcelo veio  a falecer  em  abril de 2011  em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, com apenas 27 anos, resultado de uma vida totalmente desregrada, pois não cuidava da saúde dele. Ele faleceu um mês antes de conseguir uma audiência junto a SENAD- Secretária Nacional de Política sobre Drogas, ligada ao Ministério da Justiça, resultado de suas denúncias e de sua luta. Ele foi casado com uma também médica chamada Natacha e teve  um filho  chamado Laos que hoje esta com seis anos. Doutor Marcelo nos deixou um lindo legado e merece aplausos.

É por tudo isso que a história deste homem merece todo respeito e deve servir de exemplo para muitas pessoas,  por isso o defino como médico de alma.

Quem tiver interesse em conhecer melhor a trajetória do doutor Marcelo, pode ver os vídeos abaixo de uma reportagem produzida pelos jornalistas Marco Aurélio Mello e Gustavo Costa.

Luciana Roco

Sobre Luciana Roco

Mineira,amiga, filha, sobrinha, neta, tia e advogada. Uma mulher que sempre busca novas experiências, dentre elas, escrever sobre o universo feminino.

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