O tempo e as perdas

O tempo e as perdas 1

Esta semana perdi minha mãe. Foi tão rápido, tão inesperado, tão de repente! Um dia eu tinha mãe, no outro, não tinha mais.

Eu não pensei como seria a vida sem a presença dela, ela sempre esteve lá. Quando eu pensava nela, sabia onde encontrá-la.

Todos nós sabemos que um dia perderemos nossos avós, nossos pais, mas saber não é a mesma coisa que “viver” a perda.

Não quero aqui falar da dor, porque não se explica se sente. Quero falar que o tempo nos traz muitas coisas, entre elas, as perdas. E lidar com elas é tão difícil e dolorido. Eu só queria fechar os olhos e abri-los e ver tudo voltar a ser como era antes, pegar o telefone, ouvir a voz dela e dizer: – Alô! Mamãe! Eu tive um pesadelo…

Faço minhas as palavras de Carlos Drummond de Andrade.

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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