O tempo e as perdas, parte II

O tempo e as perdas, parte II 1

Há um ano, eu escrevi um texto sobre perdas, eu havia acabado de perder minha mãe. E nesta época de Páscoa eu sinto uma falta imensa dela. Aliás, eu sinto falta dela o tempo todo. É muito estranho ficar sem a mãe, é como se faltasse um pedaço do coração, sinto-me órfã. Sinto falta de ouvir a voz dela. Eu não gostava quando ela reclamava da vida e olha que ela gostava de reclamar. Seu pudesse voltar no tempo eu ficaria horas ouvindo as reclamações dela.

Quando temos nossa mãe conosco, tem se a impressão que elas não morrerão nunca. As mães de outras pessoas morrem, a nossa não. Aí, um dia sua mãe morre e o mundo não parece justo. Tem coisas que eu gostaria de contar para ela, pedir sua opinião, mas ela não está mais lá. Eu não posso mais ligar para ela, ela não vai mais me ligar. Não vai mais reclamar da vida.

Minha mãe era uma mulher de temperamento difícil, muitas lembranças que tenho dela não são agradáveis, mesmo assim, ela era a minha mãe. Descobri que por mais difícil que nossa mãe seja, ela vai fazer falta.

Ontem meu filho me deu um abraço apertado, ele um homem feito que me deu dois lindos netos, fiquei pensando que estou envelhecendo, o tempo passa velozmente e logo serei eu a deixa-lo órfão  de mãe. Não estou sendo fatalista, mas realista, é a vida que segue. Penso nas lembranças que deixarei, quero que ele sorria quando se lembrar de mim e que minhas lembranças sejam coisas preciosas para ele.

Todos nós passamos pela vida, nascemos e morreremos, não gostamos de pensar sobre a morte, mas ela virá, cedo ou tarde, ela virá. É nossa postura que conta na vida. Minha mãe sofreu e fez as pessoas sofrerem, fez da vida um peso na maior parte do tempo. Eu tento viver a vida com leveza e delicadeza, isso a gente vai aprendendo com o tempo, com a maturidade. Gosto de viajar e tratar com amor e carinho as pessoas que amo e fazer parte da minha vida. Gosto de fazer as pessoas sorrirem e sentirem acolhidas. E quando chegar o dia em que farem minha última viagem que digam a meu respeito: – A vida lhe foi leve!

 

Acir Montanhaur

Sobre Acir Montanhaur

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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