O perfume, a pitaya e a burca

O perfume, a pitaya e a burca 1

Marquei um almoço com um amigo com um amigo muito querido, mas eu não estava num dos meus melhores dias e não compareci. Conversamos por mensagem e eu o informei que não seria uma boa companhia e que estava me sentindo horrível e queria ficar quieta no meu canto lendo, mesmo assim, ele me convidou para tomar um café.

Cabe aqui falar um pouco desse meu amigo de longa data, nós nos completamos pelo seguinte motivo, ele tem “alma feminina” e eu tenho “alma masculina”.

Quando nos encontramos, fizemos ironias com banalidades, como meu perfume favorito que saiu de linha, bem não é um perfume qualquer, é o Parisienne da Yves Saint Laurent!

Enquanto eu exagerava dizendo que não saberia mais viver sem o referido perfume e meu amigo se colocando totalmente solidário, outra amiga me liga me informando que uma fruta que compramos juntas, a pitaya, que eu não conhecia, não era vermelha e sim branca.

Meu amigo disse: – Ela ligou só pra isso? E eu rebati: – Só pra isso? Seu insensível! Depois de tudo que eu estou passando, e para piorar tudo, a minha pitaya é branca? Como posso viver assim?

E acabamos os dois rindo pra valer.  Rimos de nossas angústias, dores, medos e pesares, sem precisar falar deles e assim nos confortamos e voltei para casa com a alma mais leve.

Talvez a maioria das mulheres é assim, há dias que nos sentimos péssimas, tudo parece horrível, nosso cabelo, nossa pele, corpo, roupas, nada nos agrada. Quando me sinto assim, tenho vontade de ter uma burca para sair de casa. Uma burca tem suas vantagens, desde que eu pudesse usá-la só quando eu quisesse assim, eu poderia me esconder atrás dessa máscara, não mostrando meus reais sentimentos.

Creio que todos nós usamos nossas “burcas”, mostramos lindas fotos, sorrisos perfeitos, vidas perfeitas nas redes sociais, fazemos “selfs” incríveis. E vamos vivendo em nossas “Matrix” fugindo da dura realidade que nos aflige, que nos oprime.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

Ver tudo

Comente este post!

O seu endereço de e-mail não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados (*)

Comentário *