O ódio – vadiaputagordatravecocaradecu

É só comigo que está acontecendo isso ou você também tem despertado o ódio dos homens?

Talvez o problema realmente seja comigo: fiquei mais de cinco anos fora do Brasil e desacostumei com o jeito hum, er… hum, sabe, assim, machista e grosseiro (de muitos) homens brasileiros. Os últimos dois namorados, um espanhol e um coreano, eram só gentilezas e palavras doces. Pena não ter dado certo.

 Já faz alguns meses que voltei ao Brasil e, nesse curto período, lembro de ter sido chamado de: vadia, puta, gorda, traveco (?!) e, para completar a cereja do bolo… “cara de cu”. Não, eu não saí por aí ficando (e dormindo) com um homem por noite para ser chamada de vadia (a mulher que dorme com um homem por noite é vadia? E o homem que faz isso é o quê?). Um jovem brasileiro em fúria simplesmente gritou a palavra ao perceber que eu tinha tirado uma foto sem autorização. Poderia ter pedido para eu apagar. Seria mais fácil e mais eficiente do que me xingar.

Um outro brasileiro me chamou de puta ao se ofender quando percebeu que uma mulher (vejam só, uma mulher! Onde já se viu!) o ultrapassou com habilidade em um cruzamento. Eu não sabia que dirigir bem era uma característica das putas. Ou que uma mulher que dirige bem é uma puta. Vai entender a cabeça desses homens…

Gorda fui chamada por um moço que supostamente gostava de mim e ficou chateado com a minha recusa. Sinto muito, posso até estar gorda, mas não fico com que não quero. E não fico ao lado de quem me destrata.

Lembram-se do ditado “quem desdenha quer comprar”? Pois é verdade. Esta semana um outro moço disse que eu tinha jeito de travesti (de onde ele tirou isso?) e cara de cu (haja criatividade!) e no dia seguinte mandou uma mensagem dizendo que gostava de mim. Olhe aqui, você acha que vai conseguir o amor de algum moça falando essas grosserias? E, se você realmente gosta de mim, de onde veio tanto ódio? Você mesmo disse que não sabe porquê me odeia. Você mesmo disse que eu nunca te fiz mal algum. Deixe-me em paz.

As mulheres devem, merecem e gostam de ser tratadas com respeito, gentileza e delicadeza. Onde esses brasileiros grosseiros querem chegar e quem pensam que vão conquistar dessa maneira? Acordem!

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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