O MEU OLHAR É NÍTIDO COMO UM GIRASSOL

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…

“O Guardador de Rebanhos”
Poemas de Alberto Caeiro

Fernando Pessoa

Ana Paula

Sobre Ana Paula

Atrevo-me a me inspirar, atrevo-me a mergulhar profundamente em letras, espaços e pontos, símbolos conducentes, ícones de sentimentos (...) me atrevendo me formei em artes visuais, me atrevendo me dedico a profissão de editora de imagens já por quase vinte anos, me atrevendo pinto, bordo, costuro. Me atrevendo me casei. Me atrevendo viajei o mundo, me atrevendo escrevo às sextas e você me lê. Atrevida!

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