O menino e o tempo

O menino e o tempo 1

Ontem levei os meus netinhos no Bosque dos Jequitibás aqui em Campinas e fiquei olhando o meu netinho Christopher de dois anos brincar e explorar o mundo. Ele começou a pular de pequenos degraus e acha o máximo fazer isso. Eu fiquei olhando para aquele menino que tem meus DNAs e me lembrei da música “Força Estranha” de Caetano Veloso o primeiro verto é assim: “Eu vi um menino correndo, Eu vi o tempo brincando ao redor, Do caminho daquele menino”. E era o tempo que eu via naquele menino, o meu tempo que está por terminar e o dele, apenas começando.

É o ciclo mágico da vida, parte de nós segue em nossos descendentes com parte de nossos ancestrais seguiu em nós é a mágica para sermos eternos, parte de nós jamais morrerá, seguirá fazendo parte daqueles que virão. O tempo termina para uns e começa para outros. Uma vida que se inicia com seus sonhos, encantos e desencantos, seu aprendizado é assim que as coisas são.

Por mais que queiramos que as coisas sejam diferentes, elas não são. Não podemos deter o tempo, veloz e imutável, ora nos corroendo, ora nos confortando, colocando as coisas em seus devidos lugares.

Eu encontrei um lindo poema de Fátima de Abreu que traduz o que sinto sobre o tempo que passa tão rápido levando sonhos e ilusões.

AS AREIAS DO TEMPO

CONTADAS EM GRÃOS

NA AMPULHETA

QUE SÓ FAZ

DEIXAR O TEMPO

ESCORRER PELAS MÃOS…

 

AREIAS DE ESPERANÇA

GRÃOS QUE CONTAM A VIDA TAMBÉM

ÉPOCAS REMOTAS

DO PASSADO DA TERRA

AREIAS DO TEMPO

FOLÍCULOS DE VIDRO

PELO CALOR TRANSFORMADOS

AREIAS, SÓ AREIA, E MAIS NADA…

 

AREIA, CHÃO

FOLÍCULOS, GRÃO…

VENTO QUE LEVA A AREIA

DE UM LUGAR A OUTRO

TECE AS DUNAS

FORMAM-SE AS TEMPESTADES

NA AREIA, NAS DESÉRTICAS CIDADES…

 

OS VIAJANTES SE COBREM, O ANCIÃO RESMUNGA…

MANTOS, COBERTAS, E OLHOS CERRADOS

AS AREIAS FAZENDO SEU TRABALHO

UNEM-SE AGORA, AO VENTO

PARENTE PRÓXIMO DO TEMPO…

 

O TEMPO, O VENTO

A AREIA, O GRÃO

A TEMPESTADE, O ANCIÃO…

UM TÓPICO DO DESERTO

OS VIAJANTES SABEM DISSO…

AS AREIAS, FORMARAM PELO MOVIMENTO CONSTANTE,

AS DUNAS À SUA FRENTE

PODEM FICAR SEM ORIENTAÇÃO

PELAS AREIAS DO DESERTO, CAMINHAM CEGOS

ONDE ESTÃO?

” SÓ HÁ PÓ, AREIA, GRÃO”

RESMUNGA O ANCIÃO…

 

A AMPULHETA SE ENCARREGA DE AVISAR,

QUE O TEMPO DELES, JÁ ESTÁ A SE ACABAR!

MAIS AREIA, CHÃO…

QUEM PASSARÁ POR ESSA IMENSIDÃO?

O TEMPO, O VENTO, A AREIA, O GRÃO…

 

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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