O individualismo e a esperança

Nos últimos tempos eu tenho encontrado a palavra esperança em diversos lugares, no meu trabalho, nos textos do “facesfemininas” e principalmente nos meus pensamentos. Quando alguém me pergunta se eu acredito em algo, sempre respondo que acredito no homem e em sua consciência, que as novas gerações não me deixarão na mão e é isso que faz com que minha esperança se mantenha.

Porém, em apostar as minhas fichas nisso está sendo arriscado, o que vemos é o individualismo das pessoas, que gera egoísmo e cegueira (deixamos de enxergar o real e apenas olhamos para o que nos satisfaz).

Sobre o individualismo, o consumismo arraigado tem uma análise muito interessante do sociólogo  Zygmunt Bauman. Segundo Bauman, “(…) Por mais cheios que possam estar, os lugares de consumo coletivo não têm nada de coletivo (…)”. Entramos e saímos de uma loja sem olhar para as pessoas ou trocar uma palavra com elas, sabendo que fazem parte do mesmo momento histórico que os deveria unir. Como se fosse um ritual de compra que se fecha no individualismo das suas necessidades, uma loja cheia de indivíduos, mas que não se correspondem, não se unificam, não formam grupos, portanto não se caracterizam como coletivo.

Outro exemplo de individualismo na sociedade contemporânea na busca de cada vez mais se isolar do resto do mundo são os condomínios fechados que se formam como barreiras entre as classes sociais e que abre ainda mais o buraco da desigualdade. Segundo o historiador Tony Judt “(…) são propriedades particulares fechadas em locais antes públicos, no centro dos municípios (…)”. Literalmente um mundo dentro de outro, uma característica bizarra do individualismo. Duas situações comuns que na verdade, não deveriam ser consideradas tão comuns assim.

Mas, como se deve ser, a esperança ainda permanece, mesmo cambaleando, ainda permanece e as manifestações brasileiras neste ano, a queda das ditaduras no norte da África em 2011, a volta dos manifestantes no Egito atualmente (são pontos em construção, pois, não está visivelmente pensando no bem estar comum ainda) e as amizades verdadeiras, fortes que ando fazendo por aí, realmente florescem essa minha esperança por dias melhores, tanto em meus pensamentos como em meu coração.

 

Dicas de leitura:

 BAUMAN, Zygmund. MODERNIDADE LÍQUIDA. Ed. Zahar, Rio de Janeiro, 2001;

JUDT, Tony. O MAL RONDA A TERRA . Um tratado sobre as insatisfações do presente. Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2011.

Raquel Manzo

Sobre Raquel Manzo

Acredita que todas as pessoas tem chance de mudar a própria história, por isso escolheu ser professora desta área. Detesta o consumismo e a relação de aparências e aposta todas suas fichas no poder da juventude. Sonhadora em todos os sentidos, até mesmo em príncipe encantado encontrados em filmes de comédia romântica. "Busco ser descolada, mas ainda estou aprendendo!"

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