O estupro nosso de cada dia

Nos últimos dias o Brasil voltou atenção para discutir os casos de violência sexual após uma adolescente de 16 anos sofrer um estupro coletivo no Rio de Janeiro.

Em matéria publicada no caderno Cotidiano, página B5, do jornal Folha de S.Paulo no domingo, dia 29 “Tráfico, tiro e funk marcam cenário de estupro no Rio”,  o depoimento de um morador do bairro em que a jovem foi brutalmente violentada por 33 homens, chamou atenção para o fato:

“Isso dever ter acontecido outras vezes. Como disse um conhecido, se esses rapazes não tivessem colocado essas fotos na internet, ninguém saberia de nada”.

Embora os casos de estupro seja um crime abominável, no Brasil esses atos são completamente silenciados. Somos hipócritas o suficiente para aceitar que ele realmente acontece. E, quando acontece as mulheres passam por um criterioso crivo social.

As roupas, o horário e o ambiente em que a mulher estava antes de ser estuprada apontam, na visão da maioria, que ela facilitou o ato, uma vez que os homens não são capazes de controlar seus instintos sexuais e, reforça o mito de que esses casos ocorrem apenas na calada da noite.

Já ouvi gente se perguntando se a adolescente não teria facilitado o estupro, assim como erroneamente o jornal induz o leitor a pensar que isso acontece apenas em bailes funk, bairros pobres e periféricos. Basta olhar para o título da matéria.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, 70% das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes de até 17 anos, que na maioria das vezes são violentadas por pessoas dentro da própria casa.

São inúmeras as situações que poderia descrever aqui, mas quero atentar em discutir nesse texto a cultura do estupro, tão necessária quanto discutirmos o combate à violência sexual. Ou seja, vamos falar do quanto a violência contra a mulher é normalizada na sociedade brasileira.

Será que estamos de fato indignados com o que houve no RJ ou estamos perpetuando um cenário que naturaliza o machismo?

É comum vermos a banalização da imagem da mulher em propagandas de cerveja. Nelas, os corpos são usados estereotipados e hipersexualizados para a venda de produtos promovendo assim, a objetificação da mulher, uma vez que sua aparência importa mais que outros aspectos que a define como indivíduo.

Utilizando apenas da imagem da mulher é possível identificar nesse discurso uma promoção a cultura do estupro, que são alimentadas pelo mercado em forma de fetiche, infantilização e subjugação da mulher como algo erótico.

     

Nas letras de algumas músicas estão descritas cenas de estupro que são ouvidas como se fossem normais. Estão presente também nas novelas, no cinema e pasmem, nos discursos políticos.

Em 2014 o deputado Jair Bolsonaro disse à deputada Maria do Rosário que “ela não merecia ser estuprada”.

O ex-ator pornô e estrela de reality show Alexandre Frota, que se encontrou com o ministro da Educação na semana passada, disse em um programa de auditório que “não teria pudores em fazer sexo com uma mulher sem consentimento”. A plateia riu e o aplaudiu.

É disso que quero chamar sua atenção leitor, a fim de combatermos a normalização das coisas.

 

 

 

Sobre Monique, a destemida

Para mim o céu é o limite. Vivo como uma adolescente que sonha em mudar o mundo. Acredito no ser humano e na força do bem sobre o mal. Curiosa por natureza e jornalista por formação, adoro conhecer pessoas por meio de suas histórias e transformá-las num belo registro fotográfico. Paixão e ousadia que me levaram aos caminhos do fotojornalismo.

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