O Encontro

Mãe de 7 filhas, dona Felícia é uma jovem senhora muito simpática, ativa, curiosa e muito, muito corajosa. Ela é aquele tipo de mulher que sabe de tudo um pouco, além de ser uma ótima ouvinte e aconselhar todos como ninguém.

Mas algo a inquietava. Já fazia 4 anos que ela tentava reunir suas meninas, mas não conseguia. O ritmo frenético na rotina delas sempre impedia elas de se reunirem ao mesmo tempo.

Preocupada com a angustia da mãe, a filha mais velha de dona Felícia resolveu incentivá-la a marcar um grande encontro com todas as irmãs. O dia? Sábado, às 5 da tarde.

A primogênita de dona Felícia é uma das mais sensíveis, principalmente agora que também se tornou mãe.  E foi ela que ajudou a preparar tudo com muito carinho. Espaço organizado, decoração com fotos de todas as filhas localizadas logo abaixo do nome da mãe, formando uma espécie de árvore genealógica.

A expectativa para reunir todas as filhas era grande, mas já era sabido que uma delas não poderia comparecer. Ela estava em outro Estado a trabalho. Mas, mesmo sabendo da ausência física desta filha, dona Felícia tratou logo de sugerir que ela usasse a internet no momento em que todas estivessem reunidas. Assim não faltaria ninguém.

Enfim, é chegada a hora. Cinco da tarde.
– Hoje é sábado mesmo?
– Sim mãe, é!

A primeira a chegar é a quarta filha de dona Felícia.  Disposta, esbanja alegria e é uma das mais observadoras. Foi ela que percebeu que, melhor que ficar no espaço onde tudo estava montado, era ir para o lado de fora. Muito calor, é verão.

– Vamos montar a mesa no corredor mãe? Tem um vento bom aqui.

Mesinha posta, hora de abrir um vinho gelado enquanto as demais não chegam. Portão faz barulho. Chega a filha mais nova. E com ela toda a expectativa de rever a mãe e suas irmãs mais velhas. Tinha muito a perguntar a elas.  Fazia tempo que elas não se viam. Mais uma para abaixar o nível… DO VINHO, claro!

Momentos de pura consagração. A satisfação de dona Felícia era grande. E a da filha mais velha que tanto ajudou a mãe, também. Mesmo ela tendo que se desligar temporariamente da bebê dela só para conseguir estar plena no encontro.

Até agora, apenas três meninas. Outro ruído no portão.

– Oi manas, demorei muito?

– O suficiente pra gente quase acabar com uma garrafa de vinho!
– Ah, eu não ia beber mesmo, estou dirigindo. A mãe sabe como sou com as leis de trânsito né mãe?

A segunda filha era uma das mais empolgadas com o encontro. E curtiu enquanto pode, até vir  um telefonema.

– Tenho que ir infelizmente. Preciso mesmo!
– Tudo bem minha filha, o importante é que você veio! Pena que as suas outras irmãs não puderam comparecer.

A terceira, que estava longe e tentaria comunicação online não conseguiu. A quinta e a penúltima filha também. Problemas e dramas cotidianos. Quem não os tem?
Infelizmente dona Felícia não poderia mais voltar no tempo, quando mesmo atarefada tentando desapartar as discussões das meninas crianças, conseguia tirar um tempinho para criar circunstâncias que pudessem fazer todas brincarem juntas. Tempo difícil, mas tão bom!

Naquele sábado, mesmo com três lacunas em aberto (mais uma que teve que ir embora), dona Felícia não se abateu. Junto às três filhas presentes, relembrou muitas histórias, riu bastante e assim permaneceu noite adentro, até o final do encontro.

Este que trouxe para mãe e filhas a certeza de que, quando nos permitirmos driblar os problemas cotidianos em nome de circunstâncias que fortalecem nossa essência, somos capazes de nos encontrar não apenas com as pessoas, mas com nós mesmas!

Ana, a atrevida

Sobre Ana, a atrevida

Atrevo-me a me inspirar, atrevo-me a mergulhar profundamente em letras, espaços e pontos, símbolos conducentes, ícones de sentimentos (...) me atrevendo me formei em artes visuais, me atrevendo me dedico a profissão de editora de imagens já por quase vinte anos, me atrevendo pinto, bordo, costuro. Me atrevendo me casei. Me atrevendo viajei o mundo, me atrevendo escrevo às sextas e você me lê. Atrevida!

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