O começo de uma nova vida (muito melhor!)

O começo de uma nova vida (muito melhor!) 1Jovens perdidos olhando o mapa, olhando o céu quase como que pedindo uma ajuda divina para encontrar seu dormitório. Pais orgulhosos carregados de mala, roupa de cama, com sacolas penduradas por todo o corpo acompanhando a filha. Avós lavando a roupa de cama (já limpa) para que seus netos tivessem o ambiente mais agradável possível nos próximos anos de estudo. Mães e pais limpando os vidros do quarto, a varanda e cada cantinho do futuro dormitório de seus filhos. Um pai carregando com amor e cuidado um vaso de plantas para enfeitar a mesa de sua filha. Gente, muita, muita gente. Muita gente. Estamos na China. É assim em quase todos os lugares e, no dia de inscrição de novos alunos, não foi diferente.

Uma universidade vibrante e pronta para acolher todos que se sacrificaram para conseguir seu lugar lá dentro. O 高考 (gaokao), exame de entrada para entrada na universidade (como o vestibular) deste ano teve quase 10 milhões de inscritos. A pressão para os chineses é enorme e eles se prepararam uma vida inteira para consegui entrar em uma boa universidade. Estudam muito intensamente desde o ensino fundamental.

A minha orientadora do mestrado explicou que a filha dela (12 anos na época) começou a morar no dormitório da escola para não perder tempo com o transporte entre sua casa e o local de estudo. Uma vez por semana (somente aos domingos à tarde) ela voltava para casa de sua família para descansar. As atividades na escolha incluíam aulas regulares, aulas de reforço, atividades física e plantão de dúvidas. Todos os dias (de segunda a sábado) das 8h às 18h. Depois das aulas ela estudava sozinha. E, domingo à tarde, quando ia visitar a família, minha orientadora também a fazia estudar metade do tempo em que estava “descansando”. “Se ela não fizer isso, vai ficar para trás. As amigas dela estão fazendo a mesma coisa”, sempre me dizia. 

Assim é a China: um país onde os pais e avós fazem absolutamente tudo para que seus filhos e netos sejam bons alunos e consigam entrar em uma boa universidade. Eles se preocupam desde com o que os jovens vão comer (há alimentos que estimulam o cérebro, que dão mais energia), até encontrar os melhores professores particulares, mesmo que isso possa custar as economias de uma vida inteira. A entrada em uma boa universidade garante bom emprego, bom salário e, assim, aposentadoria garantida para os pais e avós. É um ciclo muito bem articulado e que funciona. 

E, assim começou um novo semestre na Universidade de Peking, onde vou estudar nos próximos semestres. E, a partir de agora, os próximos posts vão ser com um temperinho oriental. Aproveitem! 

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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