O antagonismo dos sexos

Homem, mulher, o que nos diferem um do outro na correria cotidiana? Atualmente, nós mulheres, compartilhamos com os homens as mesmas condições de vida,  trabalho e família, correto? Nem tanto, se não fosse uma pequena diferença: a de ser mulher em uma sociedade machista. Lutamos para trabalhar, alcançar altos cargos, ganhar mais que os homens,  mas sempre nos deparamos com aquela velha visão de donas de casa e mães perante os machistas.

Mesmo que na prática a mulher sustente a família, perante a sociedade machista ela sempre terá que fazer o “tal papel de mulherzinha”, ou seja,  cuidar da casa, lavar, passar, cozinhar e ainda cuidar dos filhos. Nós mulheres já provamos que podemos fazer quase tudo que o homem faz. Quem nunca andou de ônibus dirigido por uma mulher? Quem nunca viu uma mulher dirigindo um caminhão? Trabalhando em uma obra? Cortando cana de açúcar? Pilotando um avião? Indo a Lua?
Os sexos são diferentes sim,  e ainda bem que são, principalmente fisicamente. Homens são mais fortes, mulheres mais sensíveis. Eles muitas vezes são mais racionais e nós, mais emotivas. Porém, o que o mundo precisa entender é que homens e mulheres não são isso ou aquilo. Cada um têm sua importância e papel dentro da sociedade. Não existe algo que somente a mulher pode fazer ou somente o homem pode fazer, temos que nos completar dentro do contexto que vivemos.
Minha amiga Lúcia pontuou isso muito bem em sua última postagem, ‘O que é o feminismo’, quando concordou com o ponto de vista de uma historiadora carioca que “ …defende que o machismo começa principalmente na educação que as mães dão para seus filhos. No fato de a mãe não deixar o filho lavar louça, arrumar o próprio quarto, contribuir com a limpeza da casa.”
Esse ponto de vista é muito interessante mesmo. É de pequeno que se aprende, como se diz em minha terra. Lógico que atualmente não podemos generalizar, ainda bem! Existem homens que assumem o “tal papel da mulher”: aqueles que cuidam da casa, dos filhos, são parceiros, entendem e valorizam a luta de suas mulheres, mas infelizmente esses são raros, o que é uma pena.
A realidade da mulher no mercado de trabalho também é muito complicada. Temos que ter muita personalidade, saber se posicionar perante um homem que é seu chefe, pois infelizmente a questão da sexualidade é muito forte dentro de um local de trabalho. Dentre os inúmeros casos, o pior é o chefe exigir da funcionária “favores” para que ela não perca seu trabalho, o que é um absurdo.
Como mulher luto para trabalhar, ter minha independência, ter minha família, mas também quero ter um homem que seja companheiro, romântico, amoroso, que me dê colo, que eu possa chorar em seu peito, que divida comigo toda minha luta e não venha competir comigo. Em que eu precise dele e ele de mim.
Com a luta das mulheres pela igualdade social e respeito, de certa forma nos igualamos tanto aos homens, que até mesmo muitos valores e princípios também se perderam. Temos hoje a mulher que é independente e que fala que não precisa o homem para nada e saem pegando geral nas baladas, bebem como homens e que o sexo virou coisa fácil e objetiva. Também acho que não é por aí. Tanto o homem quanto a mulher têm que ter princípios e valores. Tanto é horrível o homem “pegador” quanto a mulher  “pegadora”. Mas, para os machistas, bonito é apenas o homem que pega geral não é mesmo?
Por isso, chega dessa hipocrisia de “coisa de homem” e “coisa de mulher”. Nada de machismo ou feminismo. As desigualdades devem ser usadas sempre a favor da evolução de ambos e nunca da opressão. Essa é a grande graça do antagonismo dos sexos.
Luciana Roco

Sobre Luciana Roco

Mineira,amiga, filha, sobrinha, neta, tia e advogada. Uma mulher que sempre busca novas experiências, dentre elas, escrever sobre o universo feminino.

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