O ano acabou! É hora do acerto de contas

Todo ano é a mesma coisa. É só aproximar a mudança da folhinha ou visualizarmos o calendário do computador, tablet, i-phone – oras, afinal, que ainda usa calendário de papel – do dia 31 para o primeiro dia do novo ano, para bater aquela sensação: o ano voou, os dias nos atropelaram, 2013 está terminando; e isso nos assusta. A culpa pode ser creditada por alguns ao clima do Natal que já toma conta das vitrines. É só passar o Dia das Crianças para que as decorações não nos deixem esquecer. De repente, parece que o relógio dispara. Mas como explicar isso, se os dias continuam tendo 24 horas, os anos continuam com 365 dias, e a metade do ano está cravada no dia 2 de julho? Essa é uma resposta que nós não temos ou será que temos?

A sensação é de que corremos muito, trabalhamos demais, estudamos bastante,  nossos filhos crescem, nossos pais envelhecem e com a gente não é diferente.   E como explicar, então, para aqueles em anos sabáticos ou mesmo desempregados, que têm o mesmo sentimento. Até minha sobrinha de 10 anos acha que o tempo corre demais; na idade dela, eu não pensava assim. Uma eternidade separava um Natal do outro. As férias não chegavam nunca. Hoje, essa sensação do tempo que escorre, parece uma questão que não é só de gente grande.

Infelizmente, não temos todo tempo do mundo. O tempo quando parece que vai ficar elástico, desaparece. A liberdade de poder fazer tudo, porque não existem compromissos, e nem a ditadura do ponteiro a passar, vira falta de ânimo para fazer nada. A minha impressão é que quando o tempo é demais, sempre resulta em coisas de menos; e tempo de menos nos exige mais agilidade no fazer e um aproveitamento infinitamente maior.

Não dá também para deixar de pensar na nossa finitude, quanto mais tempo vivemos, menos viveremos.

Aquele bode que deixamos de fazer muita coisa vai estar sempre nos nossos ombros como o grilo falante do Pinóquio, incomodando do nascer ao por do sol. Na nossa infinita insatisfação, o tempo nunca é suficiente pra quase nada. Estamos sempre brigando com ele. As segundas começam, piscamos os olhos, e novas segundas chegam. Já parou pra pensar em feriado, parecem flashes. Acabam quando mal começam.

Como manda a tradição, a aproximação do fim de ano nos remete a uma necessidade de fazer balanço. Também é fim de temporada de tudo, nos esportes, na escola e no trabalho.  E aí perdemos a conta do que realizamos. Nossa memória é muito limitada. Deveríamos fazer balanço todos os dias porque, ao final, teríamos uma lista de muitas coisas conquistadas e teríamos o dia subsequente para cumprir o que ficou para trás só no dia de ontem. Sempre brinco que ao meio dia, já esqueci a roupa que usei pela manhã; e no jantar, o que almocei. Imagine, então, quando dezembro começa a ficar ao alcance dos olhos,  tentar lembrar o que foi feito nos demais 330 dias anteriores,  é tarefa impossível pra mim. Atualmente, nem o comércio fecha pra bal anço. Como nós podemos falar para o mundo: para que eu quero descer; e fazer o nosso acerto de contas conosco mesmo. Falta tempo.

Denise, a transbordante

Sobre Denise, a transbordante

Transbordo em choros e risos, raiva e paciência, novidades e mesmices. Por pouco posso me indignar, como também explode em mim alegrias inesperadas por quase nada. Sou soma – de mim, dos outros, do mundo, do meu tempo. Às vezes, divisão; mas busco a multiplicação daquilo que acredito para que a essência não seja subtraída. Quero transbordar neste espaço com vocês, às quintas. Sou jornalista.

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