Nostalgia

Nostalgia 1

Hoje comecei um curso de teatro popular na Estação Cultura, a antiga estação de trem de Campinas que foi desativada em 2001. Quando eu era criança, eu costumava viajar de trem com meus pais para Panorama, interior de São Paulo, última estação do trem. Minha família veio de lá para Campinas em 1964 e voltávamos para lá de trem, eram catorze horas de viagem. O trem saía da Estação Fepasa, e hoje, enquanto esperava o curso começar, fique me lembrando como era pegar o trem lá. Fechei os olhos e voltei no tempo, vi o vai-e-vem das pessoas com suas malas e pacotes, a chegada do trem, meu pai segurando minha mão. Senti-me uma garotinha novamente, me vi entrando no trem, sempre lotado de gente, nós íamos de vagão em vagão procurando um lugar para sentar, o trem vinha lotado de São Paulo, só ficava mais vazio em Bauru. Muitas vezes, meu pai colocava as malas no chão e minha irmã e eu sentávamos encima. Quando chegava a Bauru era uma alegria, podíamos escolher um lugar na janela e olhar a paisagem e comer os lanches que minha mãe preparava. Minha mãe fazia frango com farinha, aquilo era tão bom!

Hoje, quando penso naquelas viagens, consigo avaliar como era sofrida, viajávamos de segunda classe, o trem era lotado, íamos em pé e mal acomodados até Bauru, cerca de sete horas de viagem, os bancos eram de madeira e muito duros e desconfortáveis, mas viajávamos felizes para rever parentes e amigos e o campo de onde meus saíram para a cidade grande em busca do sonho de uma vida melhor.

O tempo passa muito rápido, mas as lembranças são tão vivas e ficaram marcadas em minha memória. O barulho da locomotiva, o balanço dos vagões, a paisagem que parecia passar tão rápido, a chegada, a partida.

Lembro-me da música Encontro e despedidas de Milton Nascimento: “A plataforma dessa estação era a vida desse meu lugar”.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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