NÃO OPRIMA O NOSSO SEXO!

NÃO OPRIMA O NOSSO SEXO! 1

Sei quão emblemático é o dia 08 de março, e também como os meios de comunicação irão conduzir à exaustão, as temáticas envolvendo as lutas por direitos das mulheres. Mas não quero me ater ao campo das conquistas, tão amplamente divulgadas, ou ainda sobre quais os desafios enfrentados pelas mulheres para que possam exercer sua cidadania com dignidade ocupando os espaços de poder institucionalizados.

Quero lançar o olhar sobre outra questão.

Por que a masturbação feminina ainda é um tabu?
Por que há tanto preconceito com o prazer solitário feminino?
Por que as mulheres que praticam não admitem que fazem?

Assuntos relacionados a sexo, geralmente, são comuns na roda de conversa entre os homens. Eles são estimulados, desde a juventude, a enaltecer seus dotes sexuais e alardear seus feitos, ainda que nada tenha feito. A masturbação masculina é vista como uma prática inerente e comum ao universo do homem. Mesmo que exista algum tipo de restrição, seja cultural ou religiosa, fato é que, aos homens coube o DIREITO de gozar sozinho, sem neura, sem frescura.

Ao contrário dos homens, a masturbação feminina ainda é fortemente vista como uma prática pecaminosa, proibida, feia. A verdade é que muitas mulheres não conhecem seu próprio corpo. Não foram educadas para fazer ‘essas coisas’, não olham suas vulvas no espelho, e, principalmente, não foram ensinadas a gostar do que irão ver.

As meninas não são estimuladas a se conhecerem fisicamente. É comum ouvir associações pejorativa a aparência de sua genitália. Quando não, comparando-a a coisas asquerosas, de beleza questionável ou associada a algo que exala um forte odor.

Que cultura é essa que escraviza, mutila, castra e tolhe?

Conquistamos espaços na política partidária, aprendemos a arte da oratória, conseguimos “fazer política”. Somos maioria nas universidades (no campo científico, o saber é nosso!). E mesmo diante dessas realidades, não conseguimos tocar uma mísera ‘siririca’ sem se sentir culpada.

Há de ser mudada a forma como se educa sexualmente as meninas. Uma educação sexista gera mulheres oprimidas, que não se permitem ter prazer. Precisamos incentivar o autoconhecimento, mas, sobretudo, precisamos ensinar as mulheres que elas têm liberdade sobre o seu corpo.

Desejo que ao comemorarmos o Dia Internacional da Mulher, possamos também celebrar a nossa liberdade sexual. Que se rompam as amarras, porque não iremos permitir que continuem oprimindo o nosso sexo.

Falar sobre masturbação feminina é um exercício político de empoderamento e estamos na luta pelos nossos direitos, e usaremos os lábios que nos convém.

Cristiane, a progesterônica

Sobre Cristiane, a progesterônica

Minha voz ecoa entre as pernas, advinda dos grandes e pequenos lábios. Na condição de fêmea, experimentando o cio, incitando vontades e provocando ardores. Ávida, me fecundo. Chego úmida e sedenta. Sem amarras, eu chego às terças.

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