Mulheres sangram

Esta é a minha estreia como colunista no Faces Femininas. Confesso que fiquei horas pensando sobre o que escreveria. Depois de um bom tempo refletindo, sobre a proposta do site, resolvi que falaria exatamente sobre essa condição tão peculiar em ser mulher, e como diz a música, “gosto de ser mulher, desde que sou uma menina”¹.

É verdade que nem sempre compreendemos muito bem as coisas que acontecem conosco: as dores sentidas, o riso contido, as incertezas dos fatos, mas toda mulher sabe que, de vez em quando, é necessário sangrar até VIVER! Também é verdade que somos tendenciosas em transformar as coisas mais insignificantes em tragédias, principalmente, quando fazemos uso das nossas urgências. Mulher é um bicho interessante mesmo, às vezes, nos autossabotamos. Concedemos permissão, para que o outro venha e nos dilacere. E então queremos um ombro, um tempo e um verbo. Um ombro sem boca, um tempo para digerir e o verbo é esquecer, tentando inutilmente conjugá-lo.

As dores femininas nunca são pagãs, têm nomes de batismo. Geralmente são experimentadas no âmago que é para doer mesmo, e sabe o que fazemos? Embrulhamo-nos, na dor, a fim de esgotá-la. Para estar inteira novamente, é preciso desmoronar-se.E lá vamos nós, nos reerguendo, superando todas as expectativas e mesmo retorcidas, florescemos. E há quem pense que, por saber o nosso nome, conhece a nossa história, o que é ledo engano. No máximo, só sabe como nos chamam, mas não sabe quem de fato somos.

Quando a mulher comete o grave delito de pensar, ela abdica do seu direito de ser apenas mulher, tornar-se um aguilhão. E no uso de suas ideias e opiniões, tece caminhos e descobre que, quando se “enjoa” da dor, é porque está na hora de ressignificar a vida.

 

E como afirmou Guimarães rosa: “viver é um rasgar-se e remendar-se”. Na vida, deveríamos ser capazes de rejeitar tudo que nos diminui ou nos esmaga, mas nem sempre é assim. Às vezes, nos sujeitamos, inconscientes, talvez, ao outro que tem, como habilidade, dilacerar. Aceitamos ser espectadoras da nossa dor, tentando inutilmente fazê-la esgotar-se. Utilizamos disfarces, assumimos diversos papéis, usamos máscaras. Punimo-nos pelas escolhas indevidas, e vamos abandonando, pelo percurso, pequenos pedaços do que um dia fomos nós. Inevitavelmente, nossas digitais nos registram, a rubrica nos identifica. Talvez a única alternativa seja coser-se a si mesma, algumas vezes em silêncio, porque nem sempre sangrar significa ter direito ao grito.

¹. Maria Betânia. O lado quente do ser.

Cristiane, a progesterônica

Sobre Cristiane, a progesterônica

Minha voz ecoa entre as pernas, advinda dos grandes e pequenos lábios. Na condição de fêmea, experimentando o cio, incitando vontades e provocando ardores. Ávida, me fecundo. Chego úmida e sedenta. Sem amarras, eu chego às terças.

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