Morrer de desgosto

Eu estava conversando com uma amiga sobre uma amiga em comum que faleceu há uns dois anos atrás devido a um enfarto fulminante.

Minha amiga disse: – Ela morreu de desgosto! O desejo dela era viver nos Estados Unidos perto de suas filhas, mas o marido nunca quis por não se acostumar a cultura e o idioma daquele país. Isso a deixou muito triste.

O marido desta nossa amiga casou-se um ano depois de sua morte com uma mulher mais jovem que ela. E sabem onde ela quer morar? – Nos Estados Unidos!

Agora o marido quer ir viver nos Estados Unidos e está providenciando toda a documentação.

Fiquei pensando nas coisas que gosto e que não gosto. Por exemplo, eu não gosto muito de pão de queijo e olha que eu tenho uma amiga mineira que faz o melhor pão de queijo da cidade. Mas mesmo assim, perdoem-me minhas amigas mineiras, eu não gosto de pão de queijo. E mesmo que eu me apaixonasse pelo rei do pão de queijo, se é que existe um, eu continuaria não gostando de pão de queijo.

Então, porque o marido da nossa falecida amiga, agora gosta e quer viver nos Estados Unidos? Porque não fez o gosto dela? E gora vai fazer o gosto de outra mulher?

Fiquei pensando nas renuncias que muitas mulheres fazem por outras pessoas, principalmente os maridos. Desistem de seus sonhos e anseios e se apagam e muitas realmente morrem de desgosto, outras ficam rabugentas e de difícil convivência. Quando eu era mais jovem, conheci uma senhora que adorava tocar piano, mas quando se casou, o marido vendeu o piano que o pai havia lhe dado. A vida inteira, ela lamentou isso.

Pensei em mim, quando era mais jovem também renunciei de sonhos. Mas cheguei num ponto em minha vida que desisto mais das coisas que gosto, que me dão prazer. Descobri que assim sou mais feliz e mais autentica e feliz comigo mesma.

Gosto de viajar e viajo. Gosto de ler e leio. Gosto de estudar e estudo. Faço as coisas que desejo e que me deixam feliz.

Quando penso em mulheres que não desistiram de seus sonhos, eu penso em Chiquinha Gonzaga que adorava tocava piano popular e seu marido a proibia. Ele chegou a trancar o piano para que ela não tocasse, ela arrombou o piano para poder tocar e depois abandonou o marido e foi em busca do seu sonho de ser pianista popular e isso foi no começo do século XX.

Chiquinha Gonzaga escolheu lutar pelo seu sonho e ficou na história, ela não quis morrer de desgosto se lamentando um sonho perdido.

Eu que não quero ficar uma mulher frustrada e seca por dentro e acabar morrendo de desgosto.

Eu quero ser o que sou, uma pessoa leve e livre, de bem com a vida e quando desejo fazer alguma coisa, vou lá e faço! 

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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