Meu jardim de Onze Horas

Quando construímos nossa casa, resolvi fazer um jardim com umas florzinhas rasteiras que se chamam Onze Horas. São flores que se abrem por volta de onze horas. Não sei o nome cientifico delas, mas elas me remetem à infância, quando eu era bem pequena e meu avô me ensinava sobre plantas e flores.

Lembro-me de ouvir as explicações dele sobre as Onze Horas e esperar com olhos curiosos e maravilhados de crianças, as florzinhas se abrirem próximo às onze horas.

Então fiquei um bom tempo procurando uma grande variedade de cores, preparando a terra e finalmente fiz meu jardim de Onze Horas e nos fins de semana, eu fica esperando e ainda com olhos de criança que as florzinhas se abrissem e quando elas se abriam, eu voltava a ter seis anos de idade com o meu avô segurando minha mão e falando as flores.

Um dia voltei para casa do trabalho e meu marido tinha arrancado todas as minhas Onze Horas e jogado fora sob o pretexto de fazer um jardim mais bonito e que já estava cansado daquelas florzinhas bobas que pareciam mato.

Ele partiu meu coração, não briguei, mas perdi o interesse pelo jardim. As pessoas são assim, com sua insensibilidade vão partindo nossos corações sem se dar conta disso.

Sempre me lembro do meu jardim de Onze Horas e o que ele significava çara mim, coisa que meu marido na sua insensibilidade, nunca entendeu.

Nós precisamos parar e olhar para as pessoas que amamos que estão do nosso lado e ter sensibilidade o bastante para conquistar o coração delas a cada dia e não parti-los. Coração partido é como espelho não se conserta maisd.

Depois de muitos anos, eis que chego em casa depois de um dia de trabalho e meu marido plantou Onze Horas no jardim. Mas não é mais meu jardim, é o jardim dele, são as flores dele.

O meu jardim de Onze Horas, ele destruiu e com ele foi uma aparte de mim e isso não se planta mais. E a vida é assim.

Que possamos aprender a olhar a vida com os olhos da sensibilidade.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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