Meu corpo, minhas regras

Pensei para hoje um post mais slow, mas fica pra semana que vem. O evento que aconteceu nesse último sábado em mais de 14 cidades brasileiras e promete mais barulho para o também sábado 2 de junho exige a atenção deste humilde blog feminino.

Você sai com um vestido curto e passam a mão na sua bunda. Na melhor das hipóteses, um grito de “te chupava todinha” do outro lado da rua.  Aí quando conta pra alguém, ouve “Mas também, com uma roupa dessa?”. Nunca aconteceu com você?

Pois é.

Em janeiro de 2011, depois de diversos casos de abuso sexual dentro da Universidade de Toronto, no Canadá, um policial disse que para evitar serem estupradas, as mulheres não deveriam “se vestir como vadias”.

O primeiro protesto reuniu 3000 pessoas em Toronto, para acabar com essa história de que foi a mulher, a vítima estuprada, que PROVOCOU o abuso.

Desde então, iniciou-se um movimento internacional, a Marcha das Vadias, com repercussão no mundo inteiro. Muito mais do que o direito de usar a roupa que quiser sem ser estuprada, o movimento deu voz a questões da mulher moderna, como aborto inseguro, diferenças salarias entre homens e mulheres (que teve lei vetada esse ano), violência doméstica, coisificação da mulher na mídia, abuso de poder por médicos, entre outros temas.

No Brasil, cerca de 15 mil mulheres são estupradas todos os anos. E a maior parte desses crimes fica impune.

Através da Marcha das Vadias, eu acredito que desenha-se um novo feminismo, discutido através da  internet e capaz de levar pessoas às ruas.

A pesquisadora Heloisa Buarque de Holanda gosta de dizer que existe um bug no feminismo. Ele conquistou a liberdade de votar, trabalhar fora, estudar, etc. Mas não conquistou a liberdade na esfera privada. As mulheres continuam sendo vítimas de violência doméstica, continuam sendo as principais responsáveis pelo trabalho em casa, pela criação dos filhos (quero sair xingando jornalista quando leio “o seu marido ajuda em casa?” ajudar por que? A casa é só dela?) em jornadas duplas e alienadas. E aí, você ainda acha que não o feminismo não tem mais razão de existir?

Nada mais ilustrativo do que as fotos da Marcha desse sábado para entender melhor.

Se quiser saber mais, clica aqui.

Ellien Saccaro

Sobre Ellien Saccaro

Jornalista que gosta de boas histórias, boa comida, boa companhia e vê a vida de uma forma mal humorada,mas positiva. "Me acompanhem com filosofias de vida, crônicas do cotidiano, problemas femininos e uma pitada de polêmica."

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