Mestre Joaquim

Quando eu tinha por volta de quatorze anos, costumava  passar próximo a Academia Campinense de Letras e tinha muita curiosidade de saber o que era aquele lindo prédio.

Um dia passei novamente em frente ao prédio e vi um senhor cuidando do jardim. Perguntei a ele o que era o prédio e se eu poderia conhecê-lo por dentro. Mestre Joaquim (este era o nome dele), não só me deixou entrar nas dependências da Academia, como também me explicou o que era uma academia de letras.

Assim, passei a visitar a Academia e o mestre todas as semanas. Muitas vezes ia aos sábados pela manhã, outras, quando saía mais cedo da escola e corria para lá  para conversar com Mestre Joaquim.

Foi ele quem despertou em mim o prazer pela leitura. Ele me falava da Academia Brasileira de Letras, dos grandes escritores brasileiros e também me incentivou a frequentar a Biblioteca Municipal. Passei a ler os escritores que ele indicava e discutíamos as obras.

Mestre Joaquim me contava histórias de outros lugares, outros países. Ele falava com tantos detalhes e tanto entusiasmo que eu podia ver aqueles lugares mágicos. Uma menina simples como eu, filha de lavradores, jamais imaginou que lugares assim existissem de verdade.

Ele abriu meus olhos para o mundo, disse que eu poderia ser o que quisesse ser, só dependia de mim. Que eu deveria estudar e aprender muitas coisas e que a vida é um eterno aprendizado.

Quando fui cursar o segundo grau, tive que estudar a noite e trabalhar durante o dia, então não tinha mais tempo de visitar Mestre Joaquim.

Um dia voltei à Academia de Letras para vê-lo e encontrei outra pessoa cuidando do jardim. Aflita, perguntei por Mestre Joaquim. O rapaz me disse que não conhecia ninguém com esse nome. Procurei em vão localizá-lo, porque ninguém mais sabia dele.

Quem era Mestre Joaquim? Um bondoso senhor? Um anjo? Essas perguntas me acompanham até hoje. Nunca vou saber quem ele era, mas uma coisa eu sei: ele mudou minha vida, fez acreditar em mim mesma e me mostrou possibilidades que eu nem sonhava existir.

Por isso nunca perco a oportunidade de orientar alguém, mostrar outros caminhos e outras possibilidades. Por que minha vida foi transformada por aquele bondoso senhor e uma parte dele mora em mim até hoje.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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