Maria, duplicada

Às vezes Maria queria se duplicar, não para dar conta de tudo, nem porque o dia deveria ter mais horas. Não, não.. Ela queria fazer isso nos momentos de lazer. Queria ter aquela pessoa que só ela sabe ser. Aquela que, em todos os momentos, para a fatídica questão, a que se faz depois de analisar os prós e contras, cuja pergunta só tem uma boa resposta, onde nada muda, só o sinal de pontuação no fim da frase, diria: “Vamos?” “Vamos!”

Tantas vontades não realizadas e que parecem tão Maria, duplicada 1simples… “Ah, que amolação ter que convencer as pessoas”, Maria pensa. Ela não quer obrigar ninguém a fazer nada, não quer tirar pessoas de casa contra a vontade, só gostaria de poder fazer o que tem em mente. E às vezes, faz. Mas, por vezes, por mais que não queira, depende que a mesma vontade desperte em alguém pois existem coisas que não se pode fazer só. Ela não está sozinha na vida, pelo contrário. Mas como coincidir as vontades e desejos? Onde se encontram tantas pessoas com os mesmos gostos para ser uma boa companhia para tudo o que ela quer realizar?

Nestas horas, se pudesse se duplicar, Maria olharia para si mesma com um olhar cheio de brilho e diria: ‘O que você acha?’ E ela, do lado de fora de si, duplicada, responderia: ‘Eu acho muito apropriado’. E lá iriam as duas, se apoiando. Mas, porque não vai sozinha e pronto? Muitas vezes ela vai, sim. Mas tem coisa que é mais legal fazer com companhia, nem que seja para dizer: “Que lugar longe, será que erramos o caminho? Que som alto… vamos sentar ali?”. Vai dizer que você não gosta de uma opinião, de alguém que te encoraje às vezes, que embarque nas pequenas loucuras com você? Imagine em todas sem restrição.

Mas, como todo relacionamento é imperfeito, chegaria o momento da perda. Sendo duas dela mesma, os pontos fracos seriam iguais, as preocupações as mesmas. Se ela tivesse vergonha de algo, medo, insegurança, ou exagero, euforia demais, por mais que tentasse se ajudar, a outra dela teria sempre a mesma opinião. Neste caso, como descobrir novas possibilidades? Como ter outro ponto de vista? Como crescer nestes caminhos que ela estaria fazendo sem precisar de ninguém? É, Maria… talvez valha a pena realizar tudo aos poucos e deixar outras coisas pra lá.

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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