Mãos

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Na semana passada, eu estava numa roda de conversa com minha turma de educação infantil, quando a aluninha do meu lado olhou minhas mãos e falou: – Suas mãos estão ficando velhas!

A fala dela me remeteu à infância quando eu estava no primeiro ano e olhava as brancas mãos e os dedos longos da minha primeira professora quando ela pegava na minha pequena mão, ajudando-me a traças as primeiras letras.

Eu acreditava que ela tinha as mãos mais lindas do mundo. Suas unhas eram rosadas e suas mãos eram delicadas quando tocavam as minhas, eram diferentes das mãos de minha mãe que eram pesadas e rudes, principalmente quando me batia.

Eu queria ter as mãos iguais da minha professora e adquiri o hábito de olhar sempre para as minhas mãos para ver se estavam ficando iguais as dela. E foi assim que desenvolvi o hábito de olhar para as mãos das pessoas, coisa que faço até hoje.

Quando meu filho era um bebê, eu costumava segurar as mãozinhas entre as minhas. E enquanto eu lia livros para ele, ele colocava sua mãozinha sobre a minha e me perguntava se  sua mãozinha  iria ser grande como a minha. Eu respondia que um dia seria maior! E assim, ele foi crescendo, medindo sua mão com a minha e isso se tornou um gesto de carinho entre nós e um dia suas mãos se tornaram maiores que as minhas. E agora ele me trouxe um bebê que já começa a colocar sua mãozinha sobre a minha. Um dia ele vai perguntar-me se suas mãozinhas serão grandes como as minhas e mais uma vez, eu direi: – Serão maiores!

E assim é o ciclo da vida! E sim minhas mãos estão envelhecendo, um dia elas foram pequenas, cresceram e ficaram parecidas com as mãos da minha primeira professora e também seguram delicadamente as mãozinhas de crianças ensinando-as a traçar as primeiras letras…

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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