Leite e ovo pode?

A maior parte das pessoas, independente de classe social ou localização geográfica cresceu com alguns conceitos bem definidos no que se refere à produtos de origem animal. Diferentemente da carne, em que todos sabem que o animal morreu para estar na bandejinha do mercado, os ovos e o leite ainda são uma sombra na mente dos consumidores. Muitos não entendem o porquê de haver crueldade em algo que os animais fazem naturalmente, como botar ovos e produzir leite.

Acontece que as pessoas chegam à vida adulta com uma visão romântica e infantilizada da coisa. Trata-se da vida na fazendinha, onde tudo é lindo, natural e orgânico. O fazendeiro, com seu macacão e suspensórios, acorda cedo para a ordenha manual em seu banquinho de madeira. Ao seu redor, dezenas de galinhas passam o dia ciscando no gramado amplo e arborizado. Assim como nos desenhos que as crianças assistem.

Infelizmente este cenário é uma das maiores utopias enraizadas em nossos registros mentais. É evidente que existem famílias rurais, que criam para a própria subsistência e até mesmo criadores independentes que apenas admiram um estilo de vida mais simples e gostam de produzir os próprios ovos e o próprio queijo.

Entretanto, a verdade sobre o leite e o ovo é muito mais parecida com um filme de terror do que com um desenho infantil.

Em gaiolas minúsculas, as galinhas poedeiras passam a vida inteira sem, sequer poder abrir suas asas. São mutiladas com os bicos, esporas, cristas e às vezes até seus dedos cortados, para prevenir agressões e automutilações, o que é muito comum entre animais em confinamento.

Vai uma omelete ai? 3Na indústria de ovos, os pintinhos têm o seu destino traçado logo nos primeiros dias de vida. Os machos são mortos no instante em que seu sexo é determinado. Tritura-los vivos, asfixiá-los com gás ou atirá-los em caçambas de lixo é uma prática absolutamente legal na avicultura, já que não é lucrativo para os criadores manter os machos até a maturidade. Na primeira alternativa, quando são triturados vivos, os pintinhos machos servem de ração para as próprias mães que estarão aprisionadas.  Elas, que não tiveram a sorte de morrer cedo e vão viver uma vida inteira de exploração e sofrimento inimaginável.

Na produção de leite, os protagonistas mudam, mas o final é sempre o mesmo.  Quando um bezerro da indústria leiteira nasce, ele é tirado da própria mãe dentro de 24 horas para não consumir o leite que será vendido para consumo humano. Onde não é possível a separação física do bezerro com a mãe, os filhotes usam o anel de desmame. Um artefato cruel que é colocado no focinho do animal, causando dor toda vez que ele tentar mamar.

Mais uma vez o destino está traçado pelo sexo. Se for fêmea, vai virar uma vaca leiteira assim como sua mãe, inseminada artificialmente o ano inteiro para produzir o máximo de leite possível, sVai uma omelete ai? 1endo ligada à uma máquina de ordenha em ambientes minúsculos para um animal de 700 quilos. Quando não conseguir mais produzir leite o bastante, a vaca leiteira será morta assim como o gado criado para corte, porém sua carne será usada para produção de hambúrguer, salsicha, ração, etc.

Se for macho, vai ser torturado em nome da gastronomia. A carne de vitela, ou o baby beef vem de muito sofrimento do bezerro macho, que desde o primeiro dia de vida é afastado da mãe e trancado num compartimento sem espaço para se movimentar. Com uma alimentação pobre de ferro eleVai uma omelete ai? 2 é induzido à anemia profunda, o que deixa a carne branca, além de macia, já que o animal não consegue se movimentar e criar músculos.

Fica a reflexão: há mais sofrimento em um copo de leite, em uma omelete ou em um bife?

Mariana Dorigatti

Sobre Mariana Dorigatti

Sou apaixonada por tudo que se move ou move algo dentro de mim. O diferente me fascina e o improvável me desafia a querer me superar em todos os sentidos. De modo geral, acredito nos ensinamentos do mestre Mahatma Gandhi: de modo suave, você pode sacudir o mundo.

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