Homens e mulheres de honra

Na semana passada me encontrei com uma linda jovem, que conheço desde que nasceu. Ela é uma pessoa delicada e amorosa, tem duas filhinhas e vem de um casamento desfeito. Há cerca de um mês atrás, nós almoçamos juntas e ela me contou que estava grávida do namorado e que estava muito insegura, pois estava refazendo sua vida, havia voltado a estudar e trabalhar. Perguntei-lhe como o namorado está se sentido sobre a gravidez. Ela disse que ele a apoiava e prometeu ficar ao lado dela.

Ela estava triste neste nosso encontro. Perguntei-lhe sobre a gravidez e ela respondeu tive que abortar. Chocou-me sua resposta, mas aprendi com a vida a não julgar e nem falar precipitadamente. Olhei em seus olhos cheios de lágrimas e perguntei o que havia acontecido. Ela me contou que estava muito tensa e nervosa com a gravidez inesperada e o namorado terminou com ela, porque ela estava muito “chata”. Ela disse: – Ele me deixou sozinha, eu fiquei apavorada, consegui  comprar abortivos no câmbio negro e num domingo de manhã eu liguei para ele e disse que abortaria.

E eu perguntei: – O que ele respondeu? Ela disse: Ele falou para eu não fazer. E ela continuou: – Eu pensei que ele iria pegar o carro, ir até minha casa e me impedir. Esperei o dia todo e ele não veio… E agora tenho que conviver com essa culpa para o resto da vida. Mas ele quer voltar comigo, se eu mudar algumas coisas que ele não gosta  em mim.

Eu perguntei: – Você quer voltar com ele?

Ela respondeu: – Acho que quero! Estou me sentindo tão sozinha e depois ele é tão carinhoso com as meninas e gosta tanto delas.

– E o pai das meninas? Ela respondeu: -Ele pega as meninas a cada quinze dias, muito a contra gosto, porque a mulher dele não gosta delas.

Então eu fiz outra pergunta a ela: – Um homem que permite que matem seu filho, pode realmente amar os filhos de outro homem? Ela pareceu chocada e não respondeu.

Então eu pense em “homens de honra”, homens que assumem seus atos, homens que sabem amparar, homens que criam seus filhos e criam filhos de outros como seus.

Embora nossa sociedade banalize as relações e existam  cada vez mais  crianças precisando de pais e mães de verdade, mesmo que não sejam biológicos, são raros homens e mulheres dispostos a isso. A maioria se relaciona com parceiros que têm filhos e ignoram essas crianças.

Conheci um homem que falava de seus quatro filhos e depois descobri que dois filhos eram da esposa e que criava essas crianças como suas, às levando a escola, passeios, acompanhado-as enquanto que os seus outros filhos tiveram que ficar longe, porque a família teve que mudar de país, ele sofre por vê-los tão pouco.

Conheci uma mulher incrível com o garoto Rafa, a quem supus ser seu filho de tanto amor e carinho que existia entre eles. Depois descobri que era filho de seu marido. E anos depois, o marido teve um câncer e veio a falecer, e o Rafa, já adolescente, foi morar com ela para que ela não ficasse sozinha.

É o que mais se precisa no mundo, homens e mulheres de honra, para que criem outros homens e mulheres de honra e assim  sucessivamente, e aos poucos iremos transformando este mundo num lugar melhor.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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